Dengue explode em São Paulo e expõe falhas na prevenção; Por Paulo Silas

16/03/2015 16h30m. Atualizado em 16/03/2015 17h30m

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O Estado de São Paulo tem enfrentado o pior surto de dengue dos últimos anos. Nesta semana, o Ministério da Saúde divulgou um número considerável de casos da doença confirmados nos municípios paulistas. Apenas neste ano, 24 pessoas morreram em todo o Estado por causa da dengue. O número é 380% maior quando comparado ao ano anterior. Além disso, também explodiram as confirmações da doença, que passaram de 11.876 casos para 94.623 – um crescimento de 697%.

A evolução da dengue em São Paulo se difere do resto do país, onde as notificações subiram em menor proporção, de 73.135 em 2014 para 174.676 (139%) neste ano. Enquanto isso, os casos com sinais de alerta caíram de 771 para 555 (28%), e óbitos também tiveram redução, de 62 para 39.

Tanto as mortes como os casos de dengue registrados em São Paulo nos dois primeiros meses do ano expõem a falha grotesca dos municípios paulistas no combate à doença. Para o governo federal, a maioria dos óbitos ocorrem por falhas no atendimento médico, principalmente após o surgimentos dos primeiros sintomas da dengue. A hidratação do paciente, nesses casos, é tido como fundamental para evitar o agravamento de seu estado clínico.

A cada semana, novos municípios paulistas surgem em situação epidêmica. O cenário atual até antecede uma previsão de piora na evolução da epidemia em São Paulo. Infelizmente, a tendência é que o número de infectados aumentem ainda mais entre março e maio, pois os dados históricos apontam que esse é o maior período de transmissão da doença.

A verdade é que são poucos os municípios que dão atenção às Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, do Ministério da Saúde. A principal maneira de combater a doença, diz o documento, é eliminar o seu transmissor, o aedes aegyti (mosquito da dengue).

Numa situação epidêmica, não adianta os municípios, responsáveis por combater a dengue, buscarem culpados apenas na população, afirmando deveriam eliminar possíveis criadouros. Para combater atitudes por parte do cidadão, as diretrizes nacionais apontam que os governos municipais devem agir para evitar, por exemplo, que o acumulo de água parada – literalmente um prato cheio para o mosquito da dengue – esteja presente nos imóveis residenciais e comerciais. As cidades devem recorrer a agentes de saúde, com visitas bimestrais, para orientar, fiscalizar e, se necessário, punir os responsáveis por “cultivar” focos do mosquito transmissor.

O município de Limeira (a 151 km de São Paulo), a exemplo de várias cidades paulistas, é um dos que enfrenta a sua pior epidemia. Com 294 mil habitantes, até quinta-feira (dia 5), havia registrado este ano 3.401 infectados e pelo menos uma morte confirmada. O cenário é reflexo, aparentemente, da falta de ações de prevenção, que deveriam ser intensas e permanentes durante o ano. Apesar dos números confirmados, a prefeitura nega qualquer falha em seu protocolo para o combate à doença.

Para uma cidade como Limeira, as Diretrizes Nacionais do Ministério da Saúde orientam que aproximadamente 80 agentes de saúde estejam trabalhando permanentemente durante todo o ano no controle das endemias. O número de servidores permitiria, de acordo com o órgão, a visita e a fiscalização em 100% dos imóveis a cada bimestre. Em novembro do ano passado, quando o município já cogitava uma iminente epidemia, havia apenas 30 desses agentes. E, somente há dois meses, foram convocados mais 35 novos agentes. Mesmo assim, a quantidade ainda seria inferior ao que preconiza o governo federal.

Os dados recentes da situação epidemiológica da dengue no Brasil mostram a fragilidade do governo no trabalho de prevenção e de educação de seus cidadãos. Enquanto os governantes não adotarem medidas mais assertivas, o que certamente traria uma economia aos cofres públicos a longo prazo, ainda registraremos morte por doenças evitáveis – como a dengue. Infelizmente porque alguém deixou de fazer a sua parte.

Paulo Silas

Paulo Silas é jornalista e colunista de política do Jornal de Limeira, e apresentador de um programa jornalístico na Rádio Magnificat FM.

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