1,5 milhão vão às ruas pelo Brasil; Protestos contra governo geram impacto político

15/03/2015 20h42m. Atualizado em 18/03/2015 11h20m

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A dimensão do que aconteceu neste domingo (15) surpreendeu e provocará desdobramentos importantes nos rumos do governo Dilma, por mais que os ministros José Eduardo Cardozo e Miguel Rossetto tentem subestimar os protestos. Foi uma manifestação avassaladora.

A última vez que um milhão de paulistanos foram às ruas foi em 1984, na campanha das Diretas Já. Dados da Polícia Militar dos 26 Estados e do Distrito Federal apontam para mais de 1,5 milhão de pessoas nas ruas pelo Brasil protestando contra o governo Dilma Rousseff e a corrupção.

É uma forte demonstração de insatisfação para o qual o governo não se preparou, apesar dos informes dos serviços de inteligência, adiantados pelo blog, de que os protestos teriam “grande adesão” da população.

No final do dia, em entrevista coletiva em Brasília, Cardozo chegou a afirmar que as manifestações “são o preço a pagar por quem combate a corrupção”. Miguel Rossetto foi na mesma linha.

As imagens das milhares de pessoas de verde e amarelo na avenida paulista e em outras cidades — cantando o hino nacional — acenderam um sinal de alerta no Palácio do Planalto, que tentará diminuir a sua importância das cenas nos próximos dias. É um erro.

Quando o “gigante acordou” em junho de 2013, os protestos começaram pequenos e engrossaram com o tempo. Agora, já começaram grandes em muitas capitais. Ninguém sabe a proporção deste novo movimento. Crescerá?

Independentemente desta resposta, é possível saber que as imagens de hoje terão alguns desdobramentos:

– A governabilidade da gestão Dilma, que havia melhorado na última semana, voltará piorar.
– Esta foi a primeira das manifestações. Outras virão. A base de apoio no Congresso Nacional voltará a se agitar.
– Os partidos aumentarão as exigências e endurecerão as negociações.
– O ajuste fiscal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ficará ainda mais incerto.
– O dilema de Dilma ficará mais agudo – apostar em medidas conservadoras, para ajustar a economia e melhorar a articulação política, ou ceder às bases do PT abandonando o ajuste fiscal para ter algum apoio. A segunda alternativa vai aprofundar a crise econômica.
– Fatos novos da operação Lava Jato que acontecerão em breve serão mais um combustível na crise.
– Força tarefa da Lava Jato e o Juiz Sérgio Moro ganharão força e apoio.
– Supremo Tribunal Federal voltará a sofrer pressão política, reduzindo o espaço de um julgamento favorável ao governo.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

1 Comentário para "1,5 milhão vão às ruas pelo Brasil; Protestos contra governo geram impacto político"

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