O indefinido retorno de Henrique Pizzolato

12/02/2015 15h34m. Atualizado em 15/02/2015 12h15m

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Apesar da decisão da Corte de Cassação de Roma por extraditá-lo, o retorno do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato para cumprir a pena do mensalão em solo brasileiro é ainda incerto.
A decisão foi comemorada na Procuradoria-Geral da República porque reverteu, sim, uma anterior vitória jurídica de Pizzolato na primeira instância da Itália.
Todavia, as próximas três semanas serão fundamentais. O rumoroso caso segue agora para o Ministério da Justiça italiano, que tomará a decisão se acata a ordem judicial para que ex-diretor do BB retorne ao Brasil, onde deverá cumprir 12 anos de prisão por corrupção e outros crimes.
A discussão agora passa para o subjetivo campo da política. Pessoas próximas de Pizzolato ouvidas pelo blog estão confiantes em uma decisão final do governo da Itália favorável ao ex-diretor do banco.
Em novembro de 2010, numa situação inversa, o italiano Cesare Battisti obteve uma decisão política do ex-presidente Lula, que negou a extradição do ativista, condenado à revelia por quatro homicídios em seu país.
Pizzolato e Battisti alegam inocência e perseguição. Este blogueiro entrevistou os dois. Em 2009, fiz a primeira entrevista de Battisti a um órgão de imprensa brasileiro. Nela, o ex-militante esquerdista afirmou que na Itália seria morto.
Pizzolato afirmou, em 2012, que estava sendo execrado e negou a mim a intenção de fugir na sua última entrevista antes de desaparecer.
Entre as pessoas próximas de Pizzolato, a crença é que o histórico de Battisti — e a indignação gerada à época no país — pesará ao governo italiano, que poderá conceder o mesmo benefício ao brasileiro.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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