Cientistas alertam sobre possível mutação do vírus Ebola

29/01/2015 16h39m. Atualizado em 01/06/2015 14h29m

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O vírus Ebola, que já infectou mais de 22 mil pessoas ao redor do mundo, parece ter se tornado ainda mais resistente. De acordo com pesquisadores do Instituto Pasteur, na França, o vírus sofreu uma mutação e pode estar mais perigoso do que antes. Cerca de 8795 pessoas já morreram por causa do Ebola na Guiné, Serra Leoa e Libéria. Responsáveis pelas primeiras descobertas de surto do Ebola em março de 2014, os cientistas estão analisando centenas de amostras de sangue de pacientes da Guiné para confirmar se realmente houve uma mutação no vírus. “Isso é importante para o diagnóstico de casos novos e para o tratamento. Precisamos saber como o vírus está mudando para manter-se como nosso inimigo”, afirmou o geneticista Anajav Sakuntabhai em entrevista à BBC News.

A mudança de um vírus ao longo do tempo não é incomum. Assim como o HIV e a gripe, o Ebola possui uma elevada taxa de mutação. Isso faz com que ele seja capaz de se adaptar e de aumentar seu potencial para se tornar mais contagioso. “Nós já vimos vários casos de pessoas que não têm nenhum sintoma, casos assintomáticos. Essas pessoas podem ser as responsáveis por transmitir mais o vírus, mas ainda não sabemos disso com certeza. Ele pode se tornar menos mortal, mais mortal e mais contagioso. Isso é algo que nos deixa com medo”, completou Anajav Sakuntabhai.

Nessa semana, foram registrados 30 novos casos da doença na Guiné, quatro na Libéria e 65 na Serra Leoa. É a primeira vez, desde junho de 2014, que são registrados menos de 100 novos casos numa semana. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a epidemia entrou numa segunda fase, perto do seu fim. Mas, para o virologista Jonathan Ball, da Universidade de Nottingham, ainda não está claro se a epidemia está mesmo acabando ou se os casos assintomáticos aumentaram, dificultando as estatísticas. A equipe do Instituto Gerir de Goiás está pesquisando informações.

Outra preocupação comum entre os pesquisadores é o longo período em que o Ebola está contagiando pessoas e conseguindo hospedeiros da doença. Pela mutação, é possível que o vírus se espalhe até mesmo pelo ar. Ainda não há nenhuma evidência de que isso está acontecendo, mas os especialistas estão em alerta. Por enquanto, o vírus só foi passado por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas. “Para o momento, o modo de transmissão ainda é o mesmo. Você apenas tem que evitar o contato com uma pessoa doente. Mas, como cientistas, não podemos prever que isso não mude”, afirmou o virologista Noel Tordo, integrante do Instituto Pasteur que fica em Conacri, capital da Guiné.

Os pesquisadores estão utilizando o método de sequenciamento genético para acompanhar as mudanças na composição do vírus. Até agora, já foram analisadas cerca de 20 amostras de sangue vindas da Guiné. Outras 600 amostras serão enviadas para os laboratórios nos próximos meses. Um estudo anterior em Serra Leoa mostrou que o vírus mudou consideravelmente nos primeiros 24 dias de surto, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Apesar disso, os cientistas afirmam que muitas mutações genéticas não causam impacto na forma como o vírus reage aos medicamentos ou como se comporta entre as pessoas.

A pesquisa em andamento no Instituto Pasteur, em Paris, vai ajudar os pesquisadores a ter uma visão mais clara sobre as razões de algumas pessoas sobreviverem ao Ebola e outras não. Atualmente, a taxa de sobrevivência ao vírus é de 40%. A esperança é de que, com os resultados, seja possível desenvolver vacinas de combate ao Ebola. No momento, duas vacinas já estão sendo desenvolvidas e os testes em seres humanos devem acontecer até o fim do ano. Para o imunologista James Di Santo, “esse vírus não é um problema apenas da África, é um problema de todos. O melhor tipo de resposta que podemos pensar é ter a vacinação para a população de todo o mundo”.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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