Em reunião ministerial, Dilma fala, e o túnel continua às escuras; Por Clara Favilla

27/01/2015 18h59m. Atualizado em 31/01/2015 10h17m

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O discurso da presidente Dilma Rousseff (PT), na abertura da primeira reunião ministerial de seu segundo mandato, foi grande decepção. A presidente continua nos deixando no escuro. Não deu nenhum sinal relevante sobre possíveis avanços estruturais até 2018. Não pediu a compreensão da população para a conjuntura amarga que estamos vivendo. Não cobrou parceria e responsabilidade do Congresso. Não fez um mínimo de mea culpa quanto ao horror de problemas perfeitamente evitáveis como apagões e falta de água.
Não teve um gesto de grandeza com relação à oposição e nem quanto aos anseios e preocupações do seu próprio partido. Disse sobre medidas corretivas, como se não tivesse qualquer responsabilidade sobre os erros que as geraram. Enfim, um desastre. Nos últimos dias, estamos sendo bombardeados por indicadores que geram apreensão a todos os agentes econômicos, estejam do lado da produção ou do consumo: mais inflação, mais juros, desabastecimento de insumos vitais, maior déficit nas contas externas desde o governo Dutra (1947).
Dilma fez um discurso escorregadio e pretensioso. Disse que tem combatido a corrupção, que os avanços sociais continuarão, que o país tem rumo . Continua passando a ideia de que vivemos uma ilha de paz e tranquilidade, como nos piores momentos dos governos militares. Tocaria mais o coração e mentes dos brasileiros se reconhecesse a crise que vivemos, se nos prometesse sangue e suor e lágrimas, como Churchill prometeu aos britânicos, em discurso que o celebrizou. Dilma ficou quase um mês ignorando nossas apreensões. Hoje fez um amargo regresso a nossa já difícil rotina. Melhor teria sido que a reunião ministerial acontecesse, desde o início, às portas fechadas.

Clara Favilla

Clara Favilla é jornalista. "Mais do que conhecer novos lugares, amo retornar. Reportariar é meu ofício. Vivo viajando, até pela quadra onde moro, em Brasília. Escreverei sobre viagens aqui. Serão impressões pessoais,mais do que guias. Espero que gostem, deem retorno e sugestões."

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