Inquietude e indignação com a indiferença ao genocídio na Nigéria; por Pierre Pichoff

16/01/2015 18h55m. Atualizado em 18/01/2015 09h38m

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Mais de quinze vilarejos foram atacados durante dias seguidos na cidade de Baga, no nordeste da Nigéria, deixando centenas de corpos deitados ao chão. São esses os relatos que chegaram à Anistia Internacional pelos poucos sobreviventes que conseguiram escapar da morte e chegar a cidades vizinhas. Trata-se de um genocídio cometido pelo grupo terrorista Boko Haram.
As evidências do massacre foram divulgadas, nesta quinta-feira (15), pela Anistia Internacional, com base em imagens de satélites que comparam a cidade antes e depois dos dias sangrentos (2 e 7 de janeiro de 2015). 3700 prédios foram ao chão e mais de dois terços da cidade estão destruídos.
Há um descompasso na imprensa internacional sobre o número de vítimas do pior ataque do Boko Haram nos últimos seis anos. Algumas notícias falam de dezenas de pessoas assassinadas, outras, centenas.
Se ainda é cedo para chegar a quantia exata do números de mortos, é urgente que o mundo tenha a consciência de que atentados à civilização humana estão acontecendo em pleno 2015, enquanto, no resto do mundo, o assunto principal é “um próspero ano novo”.
A onda de assassinatos e destruição começou no dia 3 de Janeiro de 2015. O Boko Haram invadiu a delegacia da cidade de Baga e a fez de base para o ataque. A localização da cidade é estratégica para o grupo, por ficar próxima ao Lago Chade, onde o grupo recebe armas e homens vindo da República do Chade. Além disso, o Boko Haram descobriu que nessa cidade haveria uma reunião de exército da Nigéria para planejar ações contra o terrorismo.
Uma parte da população já havia até fugido. Alguns a pé em direção de Maiduguri. Outros tentaram atravessar o Lago Chade. Mais de 20 000 pessoas tentaram chegar do outro lado do lago. Muitos morreram afogados. Os que chegaram vivos enfrentaram frio, fome e mosquitos.
No dia 9 de Janeiro, o novo alvo das forças de Boko Haram foi Damaturu, que é uma cidade importante da região norte do Nigéria, onde há 50 000 moradores, bancos, comércios e campos militares. Mas em Damaturu, a história foi bem diferente. Os soldados estavam organizados e defenderam a população. Os terroristas do Boko Haram são desorganizados e não possuem técnicas de embate, eles apenas saem atirando e matando o maior número de pessoas, mas quando encontram soldados preparados, desistem.
Mesmo com a aparente precariedade da ação terrorista, o Boko Haram continua no controle de uma grande extensão da Nigéria. A parte sul e mais desenvolvida da Nigéria não parece estar muito preocupada com os acontecimentos. Apenas após uma semana os políticos se manifestaram sobre o massacre de Baga. O porta-voz do Exército da Nigéria, general Chris Olukade, disse que “os ataques da cidade de Baga devem servir para mostrar ao mundo que o Boko Haram representa o mal.”
A indiferença do sul do Nigéria é inquietante. Só em 2014 foram mais de 10 000 pessoas mortas pelo Boko Haram, segundo dados oficiais. O presidente do Nigéria, Goodluck Jonathan, no auge de sua campanha eleitoral para reeleição, visitou a cidade de Maiduguri escoltado por 200 soldados e prometeu à população de Baga que “em breve, eles poderão voltar para as suas casas”. Que casas?

Pierre Pichoff

Formado como piloto comercial de avião, Pierre Pichoff mora em Caen, na Normandia, França. Ele é o diretor de uma empresa de turismo, a "Descobrindo a Normandia", que oferece passeios personalizados sobre a história da Segunda Guerra Mundial na Normandia, além de Paris e outros roteiros na França.

1 Comentário para "Inquietude e indignação com a indiferença ao genocídio na Nigéria; por Pierre Pichoff"

  • Revoltado 17-01-2015 (1:06 pm)

    Sabiam?
    Existe uma unidade do boko haram instalada no planalto e em Brasilia.
    Nao existe estatistica de qtos brasileiros ja foram mortos….

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