Confira como está a nova edição da Charlie Hebdo; Por Pierre Pichoff

13/01/2015 10h53m. Atualizado em 14/01/2015 10h23m

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O propósito do Charlie Hebdo é fazer as pessoas rirem e assim seguirá. A próxima edição, que deve sair nesta quarta-feira (14), foi criada pelos sobreviventes do ataque terrorista que dizimou grande parte da redação da revista. A nova edição vai mostrar que manterá sua linha editorial e satirizar, como é de costume, a política e as religiões.
A edição desta quarta será menor com oito paginas, em vez de dezesseis, como de costume. E terá tiragem de 3 milhões de copias, número extraordinário ao comparar com as tradicionais 30 mil. Será traduzida para 16 idiomas. Cerca de 300 mil jornais receberão exemplares em cerca de 25 países, disse o diretor geral das impressões, Patrick André.
O lucro do primeiro bilhão de copias vendidas irá para a reconstrução Charlie Hebdo, a rede de distribuição aceitou trabalhar de graça em solidariedade. Os quiosques provisórios de venda estarão disponíveis de 14 a 19 de janeiro, além disso a edição especial ficará disposta à venda durante dois meses. “Cada um dos 28 mil pontos de venda terão centenas de jornais” disse Patrick André.
A revista terá como capa uma representação de Maomé com uma placa “Je suis Charlie”.
Interrogado sobre a presença da caricatura do profeta Maomé na próxima edição, o advogado da revista, Richard Malka, respondeu: “Seria muito estranho se não houvesse, pois faz 22 anos que em cada numero de Charlie Hebdo, há caricatura do Papa, de Jesus, rabinos ou de Maomé”.
Os autores do próximo Charlie Hebdo seguirão as mesmas diretrizes de sempre. “Zombaremos sobre nós próprios, sobre os políticos e as religiões”, confirma Richard Malka.
Fazendo referência às milhares mensagens de apoio desse domingo, o advogado do jornal diz que “quando você segura o slogan Je suis Charlie, isso quer dizer que você nos dá o direito a criticar sua religião, e isso não é grave, é humor”.
Médico e colaborador do Charlie Hebdo, Patrick Pelloux declarou que foi muito difícil trabalhar sem os artistas da revista, que classificou como “os pilares da publicação”. “Estamos todos num barco no meio de uma tempestade, perdemos nosso capitão e estamos fazendo nosso melhor para que o barco não afunde”, disse.
Patrick Pelloux deu uma dica de como será a próxima edição do Charlie Hebdo: “Esse numero será o mais normal possível, não falaremos apenas dos mortos. Mas ela conterá desenhos dos membros que foram mortos: Cabu, Wolinski, Charbe Tignous”. A memória deles continuará bem além dessa edição.

Pierre Pichoff

Formado como piloto comercial de avião, Pierre Pichoff mora em Caen, na Normandia, França. Ele é o diretor de uma empresa de turismo, a "Descobrindo a Normandia", que oferece passeios personalizados sobre a história da Segunda Guerra Mundial na Normandia, além de Paris e outros roteiros na França.

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