Hipocrisia também é Charlie; Por Pierre Pichoff

12/01/2015 11h23m. Atualizado em 13/01/2015 08h10m

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Presentes à grande Marcha Republicana de Paris, neste domingo (12), diversos líderes conhecidos por reprimir à liberdade de expressão engrossaram o coro “Je suis Charlie”.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, nunca aceitou a publicação dos arquivos vazados por Edward Snowden ao The Guardian e chegou a declarar que “muitas pessoas no governo achavam que o jornal deveria ter sido fechado”.
Presente ao evento, o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry, representa o país que mantém preso, há mais de um ano, três jornalistas da Al Jazeera, Peter Greste, Mohammed Fahmy e Baher Mohammed, acusados de colaborar com a irmandade Muçulmana.
Observadores políticos acreditam que o julgamento que resultou na condenação dos três foi uma farsa de fundo político, devido à falta de evidências que pudessem incriminá-los. Eles receberam penas que variam de sete a dez anos de prisão. Eles tiveram recursos aceitos no dia 1.o de janeiro de 2015 e esperam novo julgamento para fevereiro. O Egito ocupa a 158.o posição no ranking de liberdade de imprensa, segundo o Repórteres sem Fronteiras.
Outra presença polêmica foi a do primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davuoglu. Em dezembro de 2014, a polícia turca deteve 27 pessoas, a maioria jornalistas. Entre eles, Ekrem Dumanli, chefe de redação de um dos principais jornais de oposição, o Zaman. De acordo com o Comitê de Proteção de Jornalistas, há outros sete presos no país.
A Jordânia, que foi representada pelo rei Abdullah, condenou o escritor Mudar Zahran a 15 anos de prisão. Zahran era famoso por seus artigo pró paz no Jerusalem Post e no famoso Instituto Stone Gate.
Em 2011, os meios de comunicação controlados pelo governo da Jordânia pediram um protesto anti-israelita contra a embaixada israelense em Amã, mas Zahran usou de sua liderança para boicotar os protestos e mostrar que “o problema era com o regime Hachemita e não Israel”. Hoje, Zahran vive no Reino Unido, em regime de asilo político.
A Irlanda, representada pelo primeiro-ministro, Enda Kenny, desde 2009 criminalizou a publicação de material insultuoso a assuntos sagrados de qualquer religião, exatamente o foco do atentado à Charlie Hebdo.
Mas em vez que abolir a presença desses líderes, é sempre melhor acreditar que um nível grande de comoção e a energia de união em Paris possa ser uma maneira lúdica de começar a mudar o mundo. Isolar os que pensam diferente pode ser um retrocesso.

Pierre Pichoff

Formado como piloto comercial de avião, Pierre Pichoff mora em Caen, na Normandia, França. Ele é o diretor de uma empresa de turismo, a "Descobrindo a Normandia", que oferece passeios personalizados sobre a história da Segunda Guerra Mundial na Normandia, além de Paris e outros roteiros na França.

2 Comentários para "Hipocrisia também é Charlie; Por Pierre Pichoff"

  • Ireni holanda nunes 12-01-2015 (6:39 pm)

    Hipocrisia Política é Lei que se cumpre!

  • FLAVIO M. ORTIZ OLIVEIRA 13-01-2015 (12:21 am)

    Esses líderes que estiveram apoiando a liberdade de imprensa no evento parisiense são muito contraditórios a respeito do assunto. Mas o que todo mundo não comenta é que bem longe da crítica às charges do jornal, os descendentes de argelinos estavam vingando a escravidão imposta pelos franceses na colônia Argélia de tempos atrás!

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