O Natal de 2014 é trégua merecida e a doce lembrança dos natais antigos

24/12/2014 15h02m. Atualizado em 26/12/2014 20h43m

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A sensação que o ano de 2014 passa é que ele não quer acabar. Até nos dias finais de dezembro os jornais permanecem trazendo revelações desse baú inesgotável de más notícias no caso de corrupção da Petrobras. Quem abre outro baú, o da economia, encontra volume interminável de histórias ruins. Dia sim, dia não, o noticiário econômico traz alguma manchete dizendo que este é o pior número em tantos anos.
A disputa eleitoral dividiu o país, mas também invadiu as casas. Tem muita gente ainda de nariz torcido para familiares e amigos mantendo bloqueios em contas de twitter ou unfriend no facebook. Está na hora de esquecer esses ruídos e não deixar nada disso contaminar a noite de Natal.
Nos próximos anos muitas dessas brigas parecerão sem sentido, então é melhor se dar conta agora de como a amizade é mais valiosa do que uma temporária diferença de opinião. E se ela não for temporária? Não tem importância. O que realmente divide são as diferenças de valores fundamentais.
Tem gente que não gosta de Natal, tem quem esteja passando por alguma tristeza específica, tem quem goste da ideia de papai noel, tem quem prefira que o Natal se volte aos seus fundamentos: uma festa em que se celebra o nascimento de Cristo.
Há até aqueles que criticam a ideia do Natal Cristão, já que a festa antes era para “celebrar” o Deus Sol, chamado de “natalis invictis Solis”, e se transformou no nascimento de Jesus com a conversão do imperador Constantino, ainda no século III.
Tem quem tenha saudade dos natais antigos. Há os que gostam de comprar presentes e os que detestam enfrentar as lojas cheias.
Em 2014, o Natal chega em boa hora para dar um intervalo de um dia que seja, uma noite de luz, no esmagador noticiário do Petrolão.
O blogueiro aqui tem boas lembranças dos natais antigos. Eram passados em Guarapari, no Espirito Santo, na casa do meu avô Uriel e da minha avó Mariana. O encontro anual com os tios e primos. A árvore grande, sempre a mesma, cheia de presentes, e meu avô, o reverendo Uriel, sobre quem já falei aqui neste blog, abria a festa.
Reunia todo mundo e contava olhando para os netos a história do nascimento de Jesus. Ele contava de um jeito tão interessante, que a gente prestava a maior atenção, mesmo sabendo a história toda. Só depois disso, dos hinos e das orações, é que a gente podia abrir os presentes.
Mais cedo, havia sempre peças organizadas pela pianista clássica, Simone Leitão, minha tia. No Natal de 1992, interpretei um noivo a espera de sua amada no teatro, com sátiras à economia que estava em hiperinflação. Havia contratempos e lutas. Amor e humor.
Era uma algazarra grande porque a família da minha mãe tem nada menos que 12 irmãos. No dia seguinte, brinquedos novos e praia. É da natureza do Natal ir mudando, porque os núcleos familiares vão alterando. Este será na casa da minha mãe, com minha mulher, filhos, irmãos, sobrinhos, padrasto, cunhada, uma tia e um primo. Parece grande para a maioria das pessoas, mas serão só 12 pessoas, muito menos do que os Natais da infância, onde aprendi alguns dos valores que ainda preservo.
Os melhores votos a todos que neste fim de ano, quando lancei o blog, sem qualquer divulgação, começaram a vir aqui ver minhas notas, compartilhar, comentar ou divulgar. Este ponto de encontro é uma das minhas alegrias. Volte sempre e Feliz Natal. Paz.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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