Nascimento de filhotes de ararinha-azul em São Paulo renova esperança de resgatar a espécie na natureza

23/12/2014 08h19m. Atualizado em 23/12/2014 08h19m

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A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), ave que ficou famosa com o filme “Rio”, está extinta há 14 anos. Agora, surge uma esperança de reiniciar a vida desses animais na natureza. Um criadouro científico localizado no interior de São Paulo conseguiu formar um casal de ararinhas e promover o nascimento de dois filhotes, uma verdadeira vitória para a espécie.

Os bebês nasceram pesando 15 gramas e, apesar da aparência enrugada e do corpo pelado, em pouco menos de dois meses os dois já mostraram penas azuis, característica que faz com que esses animais sejam raros e valiosos. Em média, no mercado paralelo, cada ararinha chega a valer mais de 320 mil reais.

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Em todo o mundo existem apenas 92 ararinhas-azuis vivas em cativeiro. Elas estão distribuídas no Catar, na Alemanha e no Nest, o criadouro de São Paulo onde estão os dois filhotes e que abriga 11 aves atualmente. Por meio do projeto Ararinha na Natureza, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, os três países se uniram para resgatar a espécie. Como o número de ararinhas-azuis é pequeno, os pesquisadores trocam os animais entre si com o objetivo de formar o par ideal e fazer a reprodução.

O nascimento dos dois filhotes, que ainda não tem nome, é motivo de muita comemoração. As ararinhas-azuis são animais monogâmicos, o que torna difícil a formação de casais dentro de cativeiro. Patrícia Serafini, analista do ICMBio, diz estar emocionada e “acompanhando com carinho esses filhotes, que foram muito aguardados”. “Esperamos que sejam os primeiros de muitos”, afirmou.

O casal Blu e Flor, pais dos dois filhotes de São Paulo, é resultado dos testes realizados no laboratório. A tentativa de fazê-los “se apaixonarem” deu certo e Flor conseguiu pôr oito ovos no ninho. Apenas dois sobreviveram, mas já é o suficiente para que as esperanças dos pesquisadores se renovem e continuem as tentativas com os animais.

O último registro de ararinhas-azuis existente na natureza brasileira foi na Bahia, em Curaçá, mas as dificultadas enfrentadas por esses animais fez com que a espécie entrasse em extinção. Além de lidar com os predadores naturais e com as dificuldades de manter seus ninhos para reprodução, o tráfico desses bichos foi o principal motivo para o seu desaparecimento da caatinga.

A expectativa é que os animais que estão sendo protegidos no cativeiro sejam reintroduzidos na natureza em 2021, em Curaçá. Para que o trabalho dê certo, é preciso ter 20 aves de pelo menos 1 ano de idade, vindas de diversos cativeiros, para facilitar a reprodução. Enquanto isso, a população de Curaçá será conscientizada sobre a importância desses animais e uma Unidade de Conservação será criada no local onde as ararinhas ficarão soltas.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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