Aquecimento global: barreiras de corais ameaçadas de extinção

22/12/2014 10h34m. Atualizado em 31/12/2014 10h16m

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Cientistas alertam que podemos assistir à extinção em proporções “históricas” de barreiras de corais por várias partes do mundo, seguida a larga escala de descoloramento já em curso no Pacífico Norte, por causa das temperaturas muito quentes dos oceanos.
“Em escala global, a previsão é do maior evento de descoloração de corais. O que pode ser o início de um evento histórico”, disse o coordenador do Observatório “Coral Reef”, Mark Eakin, ao jornal britânico The Guardian.
De acordo com o cientista, uma enorme extensão do Pacífico já foi afetada, incluindo as Ilhas Marianas do Norte, ilha de Guam, Ilhas Marshall, Havaí, e as ilhas Kiribati.
Algumas áreas registraram um “branqueamento” grave pela primeira vez. O branqueamento dos corais é a morte dos pólipos responsáveis pela construção dos recifes devido, normalmente, a problemas ambientais.
O fenômeno é causado por aumentos persistentes na temperatura da superfície do mar. Apenas um grau Celsius de aquecimento por uma semana ou mais é o suficiente para causar danos a longo prazo nos ecossistemas dos recifes.
Nas Ilhas Marshall, a suspeita é de que descoloração de corais tenha atingido a maior parte do país, 34 atóis e ilhas. A reportagem do The Guardian testemunhou, in loco, extensões devastadas de corais que, agora, se parecem com florestas cobertas de neve (foto acima).
BARREIRA DA AUSTRÁLIA
A água quente em breve começará a bater nos recifes do sul do Oceano Índico e no Pacífico, já que as estações do ano mudam as correntes. Se o ritmo de deterioração continuar, Eakin prevê que o branqueamento pode chegar na grande barreira de coral da Austrália já em Janeiro.
O pior caso de branqueamento de corais registrado, seguido de morte, aconteceu em 1998. O El Niño, combinado com um movimento de mudança climática, elevou a temperatura do mar para níveis nunca antes registrados, matando cerca de 15% dos corais do mundo.

Reprodução Internet

Reprodução Internet

O blog já mostrou que 2014 superou 1998 como o ano mais quente registrado. O último mês de outubro foi o mês mais quente registrado na história.
O professor Ove Hoegh-Guldberg, especialista em recifes e corais da Universidade de Queensland, disse que o atual evento de branqueamento está a caminho de ser tão ruim ou pior do que o de 1998. “Muitos cientistas de recifes e corais esperam que algo semelhante a 1997-1998 aconteça nos próximos seis a 12 meses”, afirmou Hoegh-Guldberg.
DIÓXIDO DE CARBONO
Com as mudanças climáticas, a alta das temperaturas de superfície do mar está tornando o El Niño um fator até menos decisivo no branqueamento de corais. “Apesar do fato de que não há realmente um grande El Niño previsto, estamos observando esses graves padrões de branqueamento. O oceano aquece por causa do aumento de dióxido de carbono e outros gases que retêm o calor na atmosfera. O que está acontecendo é que, com as temperaturas globais aumentando, não é preciso um El Niño para aumentar a temperatura da água”, explicou.
A recuperação dos corais após o branqueamento pode demorar mais de dez anos. Contudo, o fenômeno tem se repetido diversas vezes, o que impossibilita a regeneração.
Os dois cientistas estão convictos de que, a persistir o aquecimento global, o fim dos recifes de corais pode acontecer nos próximos 50 anos, mesmo que os líderes mundiais consigam atingir a meta de aumento da temperatura global de 2 graus Celsius.
Nesse aspecto, a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas — COP 20 — foi um fracasso.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

3 Comentários para "Aquecimento global: barreiras de corais ameaçadas de extinção"

  • Ricardo Rodrigues 22-12-2014 (5:36 pm)

    Penso que aqui no Brasil o efeito possa ser o inverso.

    Nosso coral prefere águas quentes, assim sendo podem expandir seus territórios devido ao aquecimento e não a falência das colonias.

    Somos um caso à parte.

  • Ricardo Rocha 22-12-2014 (10:02 pm)

    Prezado Matheus Leitão.
    Visitando algumas praias do Espírito Santo há mais de 10 anos teve revelações preocupantes,não de cientistas, mas de mulheres que ali viviam da extração de mariscos. Mostrou que a produção de mariscos é menor a cada ano. Deu as versões delas bem cientificas. Outra senhora lúcida aos 92 anos me reportou outra situação interessante. ” Meu avo dizia quando era menino pra se chegar nas ondas do mar tinha que andar mais de 500 metros. Hoje com o senhor vê a maré tá batendo aqui pertinho no elevado das pedras. Gostei do seu texto. Gostaria que divulgasse no seu Blog, um texto que fiz. Não sei se é um desabafo ou um desespero. Com meu respeito e admiração desde já agradeço.Environmental Doomsday
    Juízo Final Ambiental.
    Vou tentar fazer um texto mais conciso possível. Mas, pela gravidade dos riscos da eminente extinção da humanidade, talvez não seja tão fácil. Em 2004 e 2009, com argumentos, já alertava uma das mais importantes fundações ambientalistas do mundo com sede no Japão: Se quisermos continuar vivendo no planeta Terra, a humanidade precisa urgentemente de mudar seu estilo de vida.
    Com a descoberta do fogo, o homem recebeu outorga para destruir o planeta e com a descoberta do átomo para arrasar tudo. Os conceitos da convivência humana com o planeta atingiram o mais alto grau de intolerância e tardiamente damos conta que assassinamos o futuro.
    O Sr. Bob Ward afirmou “Estamos criando um clima pré-histórico no qual as sociedades humanas enfrentaram riscos enormes e potencialmente catastróficos”. Já o Sr. Michael Mann, autor de dois livros sobre mudanças climáticas, disse que cientistas acreditam que as concentrações de monóxido de carbono (C02) chegaram a níveis atuais, pela ultima vez, há mais de 10 milhões de anos. Mas, não estou aqui para discutir o que acham cientistas, o poder econômico, governos, ONU, NASA, Ong`s, instituições, fundações, corporações e você particularmente.
    Quando o homem viajava na velocidade do pensamento e caiu aqui na Terra com tripulações constituídas de brancos, amarelos e negros, e não conseguindo içar voo de retorno, olhou para o universo com desejo de voltar. Assim surgiu a esperança, o mais antigo dos sentimentos que sustenta a vida dos humanos na Terra. Viemos com uma bolinha de luz divina impregnada em nossos neurônios. Fé e esperança passaram a mover a humanidade no desejo de transformar a Terra em um céu. Aí começamos agredir todas as estruturas do planeta. Não quero aqui discutir doutrinas religiosas, mas podem crer é assim, mais ou menos, que funciona. Tem até certa lógica o fascínio pelo mistério dos Óvnis. Será que no fundo invisível do nosso pensamento lateja o desejo ardente de entramos em contato com nossos irmãos do espaço? Estou divagando em uma retrospectiva milenar. Preparando você para falar sobre o Environmental Doomsday, o Dia do Juízo Final Ambiental.
    Efeito estufa, aquecimento global é coisa de 20 anos atrás. Já as alterações climáticas e suas consequências para a sobrevivência da humanidade é coisa para os próximos 20 anos.
    Veja, para nos alimentarmos tivemos que aprender com os animais. Hoje, várias espécies são criadas, exclusivamente para serem sacrificadas para saciar a fome dos vorazes humanos. Quando for ao supermercado comprar leite, lembre-se que matam o filho da vaca para seu filho se alimentar. Ainda usam o bezerrinho para fazer hambúrguer. Começamos a intervir em todas as cadeias alimentares existentes no planeta. Poderia citar pelo menos 5.000 itens que provam que o homem é um péssimo inquilino da Terra e que, além de não pagar o aluguel, destrói o imóvel.
    Caminhei por mais de 50 anos nas avenidas, praças e ruas de metrópoles, iguais a que você caminha hoje, mas ao mesmo tempo andei em florestas, abraçando árvores e espalhando sementes. Conversei com bichos da fauna nativa e outros domesticados pelo homem. Atravessei montanhas, rios e lugares alagadiços. Conheço você, seu stress. Conheço o pânico da natureza diante da destruição de seus ecossistemas. E se você é um dos negadores da destruição antropogênica do planeta, digo, sem a pretensão de ser dono da verdade, que seus argumentos carecem de fundamentos diante da velocidade das alterações climáticas que saltam aos nossos olhos.
    Coloque seu carro dentro de um balão gigante hermeticamente fechado. Ligue-o e fique você também dentro do balão. Você vai morrer primeiro pela intoxicação do monóxido de carbono e em seguida pela falta de oxigênio. Porque o pulmão do carro é mais forte que o seu. Quando faltar oxigênio o carro também vai morrer com o tanque praticamente cheio. Estamos queimando o oxigênio que devia ser utilizado para respirarmos. Pior ainda, estamos produzindo excessivamente monóxido de carbono e parte dessa desgraça esta na ponta de seus pés. No acelerador do seu carro. Mais de 40% do monóxido de carbono lançados na atmosfera são absorvidos pelos oceanos, transformado em ácido de carbono que interferem no metabolismo e matam as algas planctônicas responsáveis por mais de 90% do oxigênio que respiramos. “Na natureza nada se cria tudo se transforma”, estamos transformando a Terra em um lugar muito perigoso para vida humana e para milhares de espécies.
    Não tenho nada contra o seu exagerado consumo de supérfluos. Quanta bobagem acumula ao seu redor. Quanto egoísmo material. Quando você morrer não vai levar nada. E é até bom ressaltar que após seu último suspiro a atmosfera vai ficar rarefeita, mas você está satisfeito com esse pequeno céu que o progresso te deu. Você ainda tem alimentos na sua mesa, mesmo que o custo seja elevado para a natureza. Ainda tem água para tomar banho e beber. Então pra que se preocupar, mas pelo menos perceba que fenômenos estranhos estão ocorrendo em várias partes do mundo. Nuvens são formadas, mas não conseguem cair e enfurecidas chegam a produzir tempestades. Quero ver quando as alterações climáticas, severas, que se aproximam encontrar com você na torneira de sua residência sem água potável e nas prateleiras dos supermercados vazias. E é importante dizer: Não tenho nada contra o consumo de combustíveis fósseis, mesmo porque a situação é irreversível.
    O desaparecimento da humanidade está com os dias contados, muito antes que os cientistas e vocês possam imaginar. Não vem com essa história que estou dando uma de profeta. Só não vê quem não quer. Ou finge. Faltou-nos o respeito aos seres vivos que encontramos aqui na Terra. Quanto você corta uma arvore você mata uma vida e ainda leva os restos mortais dela para compor a sua casa. Quando você queima uma madeira ela devolve em forma de fumaça o monóxido de carbono que retirou da atmosfera durante anos, ainda produz luz com as cores do sol e do calor, que é o que você chama de fogo. Quando ateamos fogo em uma floresta estamos cometendo um genocídio ambiental. A humanidade se tornou possessiva de todos os direitos, inclusive de escravizar uns aos outros. Os ditames harmoniosos de convivência com natureza foram vilmente desrespeitados. Por todo lado deparamos com os ecossistemas agonizando. Vou usar senão o mais importante dos diretos, o primeiro. O direito de falar. Gostaria de estar no topo da última árvore milenar do planeta para dar um grito em nome dela e estremecer os ouvidos dos participantes reunidos em uma Conferência de Cúpula Mundial sobre o Meio Ambiente. Gritar bem alto: – Vocês são uns infames assassinos, a humanidade vai pagar com a própria vida o que vocês fizeram ao longo do tempo com a natureza.
    O poder econômico mundial ainda não aceita muito retroceder, mesmo porque não sabem como resolver as atrocidades do impactante progresso que fizeram sobre o meio ambiente. Ainda ficam atônitos diante da vulnerabilidade que estamos sujeitos diante das catástrofes naturais. Infelizmente, o ser humano na sua individualidade não quer, ou não tem como mudar o seu estilo de vida. Tornou-se um escravo de si mesmo.
    Vou deixar o desabafo solitário do meu livro que vocês não leram e nem vão ler. Disseram-me: “Livro é uma arma perigosa, pode mudar a cabeça das pessoas”. Mas, vamos lá. Leiam parte do meu desabafo solitário. A hecatombe pode acontecer a qualquer hora, pela destruição global da ganância do poder econômico, pelos massacres ocasionados pelas injustiças sociais, pelo massacre nos confrontos de interesses; os pobres vão morrer de fome; os ricos, de medo; e todos pela globalização de epidemias. “só se ouviram clamores e ranger de dentes” por toda a parte. Se não ficar “pedra sobre pedra” imagino edificações desabando em série, pontes e rodovias destruídas, seguidas de estouros de barragens e uma densa nuvem de poeira sufocada pela fúria das ondas do mar manchadas de petróleo e sangue, rolando pelas montanhas do continente entre gases fétidos exalados na atmosfera.
    Finalmente, esse Ponto no Infinito chamado Terra foi destruído pela sabedoria dos extraterrestres conhecidos como homens. Vai sobrar apenas o espanto de astronautas de ambos os sexos e de várias raças perdidos para sempre no espaço, à procura de outro planeta para destruir. Environmental Doomsday está próximo. O Juízo Final Ambiental esta próximo. Day of environmental doom pode acontecer parcial ou totalmente a qualquer hora.
    Tentei ser mais simples, menos ambientalista, científico, eclético, mais mensageiro. Podem divulgar. Compartilhar o texto. “Não sei qual o segredo do sucesso, mas o segredo do fracasso é tentar agradar a tudo mundo”. Meus filhos ao lerem o texto me perguntaram: – Pai não tem uma saída? Respondi – Tem. Depende de uma coisa que população não tem e não quer ter. Consciência Ambiental.
    Ricardo Rocha
    – escritor do livro, UM PONTO NO INFINITO.

  • ana 05-04-2015 (8:29 pm)

    preciso saber guais os animais aqui em barreiras ameaçados em extinção

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