‘Nariz Digital’ desenvolvido em microchip pode farejar doenças

22/12/2014 08h51m. Atualizado em 23/12/2014 08h15m

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A ciência descobriu há muito tempo que cães e gatos, com o seu olfato altamente desenvolvido, podem ser treinados para identificar cheiros de “químicos” liberados por doenças humanas.
Em alguns casos, animais de estimação foram treinados para detectar câncer ou até prever convulsões produzidas pela epilepsia.
Mas e se pudéssemos ajustar esse sentido e em um microchip, criando um “bafômetro” para doenças?
Reportagem da CNN que foi ar neste final de semana revelou que o engenheiro americano Andrew Koehl inventou um micro chip que pode detectar químicos no ar.
O microchip é, essencialmente, um pequeno nariz digital. “O olfato é um sentido subvalorizado. Eu estava tentando achar uma solução logo após o 11 de setembro e isso me levou a pensar na parte de segurança do país. Detectar cheiros como o de explosivos e substâncias químicas. Basicamente, ameaças”.
Do tamanho de uma moeda de dez centavos, o sensor funciona percebendo o espectro de produtos químicos que estão no ar. Em seguida, identifica o “cheiro” de cada um.

Owlstone/CNN

Owlstone/CNN

Se o sensor, feito com nanotecnologia, estiver calibrado para detectar o cheiro produzido por uma laranja, por exemplo, ele soa um alarme se a fruta estiver no ambiente.
Todavia, ao tentar fazer isso para a área de segurança, em um laboratório da universidade de Cambridge, no Reino Unido, Koehl percebeu que poderia realizar o mesmo para qualquer esfera, incluindo a da saúde.
“É possível. Nós chegaremos lá”, disse ele à rede de notícias dos EUA. Dentro de alguns anos, o engenheiro espera desenvolver o microchip como uma ferramenta de diagnóstico.
“O que é surpreendente é que há realmente compostos na nossa respiração, que indicam a doença. Por meio de uma série de estudos, percebemos que podemos detecta-los”, disse Koehl. “Uma série de trabalhos de pesquisas publicados sugerem que podemos detectar o câncer, tuberculose ou a asma”.
O microchip já está sendo produzido comercialmente por uma empresa chamada Owlstone, que tem laços estreitos com a universidade de Cambridge. Gigantes da indústria do petróleo como a Shell e, algumas do setor de alimentos, como a Coca Cola e a Nestlé, usam o eletrônico para detectar químicos.
Para Koehl, é uma questão de tempo para que o microchip seja usado para descobrir doenças. “Queremos desenvolver um módulo pequeno o suficiente para colocar em dispositivos móveis como telefones”.
É o futuro à nossa frente.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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