Sono instável dos pais e dos bebês é analisado pela Universidade da Pensilvânia

21/12/2014 15h56m. Atualizado em 22/12/2014 14h50m

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O sono perdido por pais de recém-nascidos é objeto de estudo inédito da Universidade da Pensilvânia. A irregularidade no padrão de sono dos bebês preocupa muitos pais, que acham que o problema está em sua forma de cuidar dos filhos ao dormir.

Agora, os profissionais de saúde, especialmente os de enfermagem, fizeram pesquisas para ajudar os pais a entender que o padrão normal de sono das crianças é diferente do de adultos.

De acordo com Robin Yaure, instrutor de desenvolvimento humano e estudos familiares da niversidade, “os enfermeiros podem ajudar os pais a entender que dormir durante a noite não é muito comum em crianças jovens e que os padrões de sono dos bebês mudam durante os primeiros anos de vida”.

Durante as análises, os pesquisadores mapearam quatro áreas comuns de atenção para pais e profissionais: o que constitui o padrão normal de sono infantil, determinar se as noites de vigília são um problema ou não, descobrir se a presença de um pai agitado atrapalha a criança a dormir, e se o treinamento do sono é seguro e saudável para os filhos. Esse último treinamento analisado tem o objetivo de estabelecer uma rotina para o bebê, embora, segundo os pesquisadores, os métodos usados não sejam muito atraentes para os pais e, principalmente, para as crianças.

Em recente publicação na revista da Associação Americana de Enfermeiros, os pesquisadores sugerem que o diálogo com os profissionais de enfermagem pode ajudar os pais a iniciar boas práticas na vida em família. O padrão de sono dos bebês costuma variar muito nos três primeiros anos de vida por mudanças na saúde, na mobilidade e o controle da ansiedade causada pela separação do bebê em relação à mãe. Para os profissionais, “compartilhar essa informação básica com os pais é uma maneira de garantir que a vigília dos bebês não significa necessariamente que eles estão fazendo algo errado”.

Outro ponto importante analisado pelos pesquisadores é a incapacidade de resposta de algumas mães ao fazer um atendimento noturno ao bebê. Muitas vezes, o choro tem causas desconhecidas e gera estresse, tanto para a mãe quanto para a criança. Esse nervosismo aumenta o cortisol no corpo, variação que pode prejudicar o bebê a longo prazo. O aumento nos níveis de cortisol está associado a problemas como agressividade, depressão e déficit de atenção em crianças e adultos. “Eu me preocupo com os pais que sentem que não podem confiar em seus próprios instintos. Temos que ser culturalmente conscientes e sensíveis a diferentes famílias e crenças”, completou Robin Yaure.

As pesquisas na Universidade da Pensilvânia continuam e podem ajudar a aumentar o conhecimento do sono infantil baseado na análise prática. Para muitos pais, essa é a oportunidade de acabar com as dúvidas e preocupações em relação ao sono instável de seus filhos.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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