Mentes criminosas têm fator genético, mostra pesquisa

07/12/2014 11h33m. Atualizado em 10/12/2014 16h14m

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Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, analisaram o DNA de 895 criminosos da Finlândia e concluíram que existem genes responsáveis por altos níveis de raiva e violência.
Para os cientistas, a explicação de até 10 por cento dos crimes pode ser genética. O resultado da pesquisa foi publicado na revista Molecular Psychiatry.
Os pesquisadores compararam os genes encontrados em criminosos com os do restante da população na Finlândia. Nos criminosos que cometeram os crimes mais graves, como homicídio, foram encontrados variantes de dois genes: a monoamina oxidase A (MAOA) e a caderina 13 (CDH13).
A MAOA está ligada aos níveis de dopamina, substância química associada a felicidade, prazer, recompensa. Enquanto a CDH13 é relacionado ao controle dos impulsos.
A pesquisa também mostrou que bebidas e drogas podem aumentar o risco de comportamento violento em indivíduos com baixos níveis de dopamina associados ao gene MAOA. A descoberta pode ajudar a identificar potenciais criminosos para que sejam tratados antes de desenvolver a violência e a fúria.
Para o professor de Genética do Grupo de Comportamento da Universidade de Cardiff, William Davies, o estudo pode trazer inúmeros benefícios à sociedade. “Para identificar os infratores potencialmente violentos numa fase anterior e, portanto, para a implementação de estratégias de intervenção precoce; e para a identificação de vias neurobiológicas que podem ser passíveis de tratamento”, disse.
A genética pode até explicar a propensão de uma indivíduo à violência, mas as leis, a educação e a cultura são os fatores decisivos para evitar o crime e melhorar o convívio em sociedade.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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