Istoé acusa Janot de querer blindar governo no escândalo da Petrobras. Procurador rebate

07/12/2014 09h41m. Atualizado em 07/12/2014 14h31m

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Reportagem de capa da revista Istoé deste sábado (6) sugere que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estaria em busca de um acordo com as empreiteiras para evitar que as investigações do escândalo da Petrobras possam chegar ao governo federal. Em reposta à acusação da revista, Rodrigo Janot revelou ao Jornal Nacional que onze executivos de seis empreiteiras serão indiciados pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude à licitação e formação de cartel.
Nos últimos meses, Janot participou de reuniões com representantes das empreiteiras envolvidas nas investigações da operação da Lava Jato. Segundo a revista, foi durante esses encontros que o procurador-geral tentou chegar a um acordo com as empreiteiras — o que poderia livrar o governo federal das investigações. A Istoé afirmou que ouviu dos advogados das empresas que Janot quer que as construtoras assumam a responsabilidade dos crimes investigados, reconheçam o cartel, concordem em pagar multas e mencionem políticos de partidos fora da base aliada. Em troca, ofereceria aos condenados o cumprimento de pena em regime domiciliar e permitiria que as empresas continuassem a fornecer para o governo.
De acordo com a revista, um ministro do Supremo Tribunal Federal, em condição de anonimato, censurou o acordo proposto: “Isso é um absurdo. Embora não acredite que seja essa a motivação do procurador, um acordo nesses termos protege o governo de eventuais investigações”.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Nacional, o procurador-geral da República confirmou que esteve com os advogados dos executivos das empreiteiras para verificar a possibilidade de um acordo. E negou que os crimes deixariam de ser investigados a partir do reconhecimento de culpa dos executivos.
“Os crimes praticados por agentes econômicos e políticos estão sendo investigados e vão ser levados à Justiça. Essa investigação, no que se refere à parte penal, ela irá até o fundo e até as últimas consequências. Nós estamos seguindo o dinheiro e nós vamos alcançar a todos esses infratores. Que são delinquentes”, disse Rodrigo Janot.
Após a publicação da revista, o procurador-geral divulgou uma nota para seus pares do Ministério Público negando a intenção de blindar o governo: “Para profunda tristeza dos brasileiros honestos e cumpridores de seus deveres, o país convulsiona com o maior escândalo de corrupção da nossa história. Jamais aceitarei qualquer acordo que implique exclusão de condutas criminosas ou impunidade de qualquer delinquente”.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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