Joaquim Levy e Nelson Barbosa devem assumir Fazenda e Planejamento

21/11/2014 17h58m. Atualizado em 30/11/2014 22h14m

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Os nomes da nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff estão (quase) definidos: Joaquim Levy como ministro da Fazenda e Nelson Barbosa como titular do Planejamento. O Palácio do Planalto, que chegou a convocar a imprensa nesta sexta-feira (21), desistiu do anúncio.
Se Joaquim Levy for confirmado como ministro da Fazenda, será preciso ainda saber se ele conseguirá montar equipe independente. Levy tem defendido ao longo de sua vida profissional ideias econômicas bem diferentes das defendidas pelo ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, do atual ministro Guido Mantega, e é mais duro do ponto de vista fiscal que o possível futuro ministro do Planejamento Nelson Barbosa e até da presidente Dilma.
Apenas se Levy tiver liberdade para montar uma equipe forte, poderá atender às expectativas de mudança que se formam sobre ele, segundo uma fonte ouvida pelo blog e que conhece sua trajetória. A crise econômica é muito grande e há necessidade de várias mudanças de rumo. É preciso saber se ele terá força para isso. Levy trabalha hoje no Bradesco que esta semana já disse um não ao governo Dilma Rousseff.
Levy foi funcionário público, ficou oito anos no FMI, trabalhou na equipe de Pedro Malan, mas chegou a postos de destaque na primeira equipe do governo Lula sob o comando de Antonio Palocci, que sempre foi considerada tecnicamente competente, e não ligada a partidos. Foi também secretário de Fazenda do Rio de Janeiro e agora estava no mercado financeiro, mais especificamente na gestora de recursos do Bradesco. A dúvida continua sendo se ele terá poder para tomar decisões. A reação do mercado, antes do Planalto voltar atrás, foi boa, a bolsa subiu e a Petrobras teve forte recuperação.
Já Nelson Barbosa é próximo da presidente Dilma. Sempre defendeu o projeto econômico do governo. Ficou dez anos, primeiro no Planejamento e depois na fazenda e saiu em 2013.
Em recente trabalho publicado na Fundação Getúlio Vargas, onde é professor, Nelson Barbosa analisou o cenário econômico para os próximos quatro anos e defendeu maior investimento em políticas sociais, como transporte público, saúde, educação e moradia.
Barbosa defendeu ainda a continuação de políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e criticou as frequentes intervenções do Banco Central no controle do câmbio.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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