Acostumados com luxo, empreiteiros dormem em colchões e comem marmitas da prisão

17/11/2014 18h54m. Atualizado em 18/11/2014 10h41m

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Usando calças sem cintos e sapatos sem cadarço, os executivos das maiores empreiteiras da país estão tendo uma rotina bem diferente, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, daquela a que estavam acostumados fora da prisão.
Ao blog, autoridade envolvida na investigação afirmou que os executivos de empresas como Camargo Correa, Engevix, Galvão Engenharia, Iesa, Mendes Júnior, OAS, Queiroz Galvão e UTC — alvos na sétima fase da operação Lava Jato — entregaram os cadarços dos sapatos, cintos, cordões e relógios caros.
Basicamente, ficaram os dedos, mas eles tiveram de entregar os anéis. A norma vale para qualquer preso que chega ao presídio, por motivo de segurança.
Divididos em três celas, puderam permanecer com a roupa do corpo. Já ganharam cobertores e agasalhos, após reclamação de frio na primeira noite. Todavia, alguns tiveram que dormir em colchões no chão por falta de cama para todos.
A comida de manhã foi, segundo apurou o blog, café com leite e pão, sem fruta. Almoço nesta segunda-feira (17): arroz, feijão, macarrão e carne.
Os envolvidos estão negando as acusações na força tarefa que busca ouvir todos os 23 presos na nova fase da operação que tem mostrado as vísceras de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras.
Primeiro foram ouvidos aqueles que tiveram a prisão temporária decretada, como o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque. E agora os que estão em regime preventivo.
Os vizinhos da Superintendência em Curitiba estão surpresos com a movimentação de carros caros dos advogados que entram e saem do local.
Até agora, o trabalho dos defensores não tem dado certo. Nesta segunda, o Superior Tribunal de Justiça negou habeas corpus para todos os cinco executivos e funcionários da construtora OAS.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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