Jovens negros são maioria das vítimas de morte no Brasil

10/11/2014 14h52m. Atualizado em 10/12/2014 23h42m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

A Anistia Internacional Brasil lançou a campanha Jovem Negro Vivo, que pretende mobilizar o público para o alto índice de homicídios contra jovens afrodescendentes. Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros.
A campanha, que vai até junho de 2015, quer mostrar que os jovens negros são vítimas de preconceito e estereótipos negativos.
Perder jovens, independentemente da situação social ou da cor, é uma tragédia para o país porque afinal eles serão o futuro. Mas no caso do Brasil, as estatísticas mostram que os jovens morrem num percentual muito alto, e se são negros o número é alarmante.
O diretor executivo da Anistia Internacional Brasil, Átila Roque, espera que a campanha Jovem Negro Vivo mobilize a agenda pública nacional em busca de soluções para o problema. “Precisamos urgentemente de ações governamentais que revertam este quadro, à semelhança do que foi feito com a fome no Brasil, na década de 90”, alertou.
Maria de Fátima dos Santos Silva, de 55 anos, teve o filho Hugo Leonardo dos Santos, de 33, morto em abril de 2012 em uma ação policial na Rocinha. “Eles tiram a vida dele assim do nada. Meu filho era perseguido demais e eu não entendo o porquê. Eles disseram que foi troca de tiros, mas era tudo mentira. Mataram ele só porque era pobre, negro, desempregado e morador da favela. Isso tem que acabar”, desabafou.
Anistia Internacional Brasil arrecada assinaturas em apoio a campanha Jovem Negro Vivo no site da ONG https://anistia.org.br/campanhas/jovemnegrovivo/.

Com informações da EBC e da Anistia Internacional Brasil

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

2 Comentários para "Jovens negros são maioria das vítimas de morte no Brasil"

  • Jornalista Kirk Douglas 10-11-2014 (3:35 pm)

    Creio que está havendo uma disparidade muito grande nesse percentual de setenta e sete por cento de negros assassinados no Brasil.
    Diante de tanta pressão social, o negro adquiriu requisitos básicos originados de sua própria cor.
    O próprio governo induziu o racismo tanto que o legalizou quando criou a cota dos negros. Os próprios negros não aceitaram tal divisão que na visão dos grandes movimentos afrodescendentes nada mais é do que racismo legalizado.
    Quantos aos assassinatos, os crimes no Brasil têm várias cores, várias bandeiras de atuação. O crime não tem somente a cor negra. O crime de alguns anos para cá conseguiu adequar várias identidades tais como o envolvimento de jovens universitários brancos da classe média alta.
    Para ser ter uma ideia, muitas quadrilhas não estão mais contratando integrantes negros para não levantar suspeita na execução de um plano criminoso.

  • Beto 10-11-2014 (3:51 pm)

    Jovens negros são igualmente a maioria, estatisticamente, dos que tiram a vida dos outros. E aí? Essa história de “mataram porque é pobre e negro…” é balela. Se 77% dos que morreram eram negros, quantos porcento de negros foram os assassinos? A maioria é por casos de drogas ou será que é uma chacina racial? Essa matéria me parece tendenciosa e instiga uma rivalidade (descabida) de raças e classes.

Comente

O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.