Eleição de Eduardo Cunha deve ser símbolo do desgaste político do PT

05/11/2014 07h40m. Atualizado em 05/11/2014 18h22m

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Mesmo com a maior bancada na Câmara dos Deputados, o PT não deve conseguir eleger o próximo presidente da Câmara. A presidente da República, Dilma Rousseff, que sente calafrios ao ouvir o nome ‘Eduardo Cunha’, ainda vai tentar conter a candidatura do líder do PMDB, que parece estar consolidada.
A primeira estratégia de Dilma será reunir na quinta-feira (6) os governadores eleitos do PT e as bancadas do PT no Senado e na Câmara para tentar equacionar um nome petista capaz de disputar de igual para igual com Cunha. Dilma vai pedir aos governadores que pressionem a bancada de seus Estados na Câmara.
No PMDB, embora Eduardo Cunha e o vice-presidente Michel Temer tenham batido boca durante a campanha, a desenvoltura com que Eduardo Cunha circulou no jantar oferecido pelo vice ao PMDB, nesta terça (4), mostra que o partido não deve criar problemas para a candidatura.
Mesmo para a ala peemedebista mais fiel ao governo, ter o ‘rebelde’ Eduardo Cunha no comando da Câmara significa aumentar o poder do partido, ao manter Dilma Rousseff numa situação de pressão constante, o que impediria a presidente de avançar com mais independência em seu segundo mandato.
Aécio Neves deve avalizar o apoio do PSDB para Eduardo Cunha. Naturalmente, a oposição quer levar o PT ao máximo do desgaste político até 2018.
Eduardo Cunha negocia o apoio formal de PR, PTB, PSC e Solidariedade para sua candidatura e deve procurar, além do PSDB, o DEM e o PPS.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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