Delação premiada faz a primeira vítima e Sérgio Machado se afasta da Transpetro

04/11/2014 09h25m. Atualizado em 04/11/2014 20h38m

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Citado nominalmente pelo ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa em delação premiada sobre corrupção na Petrobras, Sérgio Machado deixou nesta segunda-feira (3) a Transpetro, subsidiária da Petrobras.
Machado é a primeira vítima de uma série de delações premiadas realizadas no escândalo conhecido como “Petrolão”. Machado decidiu licenciar-se por conta própria após não resistir a esse trecho do depoimento à justiça do Paraná:

Paulo Roberto Costa: Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi.
Juiz Sérgio Moro: O senhor pode ser mais específico?
Paulo Roberto Costa: Recebi, se não me engano, foram R$ 500 mil.
Juiz Sérgio : Quem pagou ao senhor?
Paulo Roberto Costa: O presidente da Transpetro, doutor Sérgio Machado.

As informações dadas nas delações estão em poder do Ministério Público Federal, da justiça e envolvem um grande número de políticos da base aliada da presidente Dilma Rousseff. Novos desdobramentos são aguardados e o desgaste político para o governo é imensurável.
Machado estava há 11 anos à frente da Transpetro e o afastamento foi registrado oficialmente por 30 dias. Ele não deverá mais voltar ao cargo, conforme apurou o blog.
Em nota enviada à imprensa, Sérgio Machado afirma que, “apesar de toda uma vida honrada, [tem] sido vítima […] de imputações caluniosas feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, cujo teor ainda não foi objeto sequer de apuração pelos órgãos públicos competentes”.
“A acusação é francamente leviana e absurda, mas mesmo assim serviu para que a auditoria externa PwC apresentasse questionamento perante o Comitê de Auditoria do Conselho de Administração da Petrobras”.
Responsável por auditorias na Transpetro, a PwC (PricewaterhouseCoopers) não entregaria o balanço financeiro do terceiro semestre caso Sérgio Machado continuasse a frente da subsidiária.
Segundo o jornal O Globo, a PwC alertou a Petrobras de que não aprovaria as contas da Transpetro, exigindo medidas da empresa.
Na nota, Machado afirma que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou suas contas e que tomou “a iniciativa de afastar-me temporariamente para que sejam feitos, de forma indiscutível, todos os esclarecimentos necessários”. “Trata-se de um gesto de quem não teme investigações. […] Tenho todo o interesse de que tudo seja averiguado rapidamente”.
“Nesse período, a empresa obteve resultados notáveis e passou sem problemas pelo crivo de inúmeras fiscalizações internas e externas. […] Ao longo de mais de 30 anos de vida pública, jamais fui processado em decorrência de meus atos”
Machado foi indicado à Transpetro pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. Ele foi orientado pelo PMDB a tirar a licença para não se “deixar sangrar’.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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