Com déficit de R$ 15,3 bilhões até setembro, governo deve alterar meta fiscal e cortar gastos

31/10/2014 20h18m. Atualizado em 01/11/2014 09h07m

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Ao enviar ao Congresso Nacional alterações na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para diminuir a meta fiscal a ser atingida em 2014, o governo federal vai ter que pedir licença para descumprir aquilo que ele mesmo estabeleceu. Em fevereiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o objetivo era apresentar um superávit anual de R$ 99 bilhões. Mas, nesta sexta-feira (31), o governo se viu obrigado a voltar atrás e o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, comunicou que vai encaminhar uma proposta de alteração da meta de superávit primário para 2014 e da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO).
O anúncio do Tesouro se deu logo depois de o Banco Central divulgar que o déficit acumulado nas contas públicas de 2014 até setembro foi de R$ 15,3 bilhões, o que tornaria uma tarefa praticamente impossível o cumprimento da meta imposta pelo próprio governo.
Segundo o dados divulgados pelo Banco Central, somente em setembro, o setor público gastou R$ 25,5 bilhões a mais do que o que arrecadou. O governo federal foi o responsável por R$ 20,399 bilhões deste gasto. O mês de setembro de 2014 entra para a história como o pior resultado das contas públicas do governo desde que os dados são consolidados no Brasil.
Para se ter uma ideia do rombo das contas públicas deste ano, o setor público gastou, de janeiro até setembro de 2014, R$ 60 bilhões a mais do que de janeiro a setembro em 2013, quando havia superávit de R$ 45 bilhões.
O gasto do setor público é a soma dos gastos do governo federal, estaduais e municipais, além das empresas estatais.

Cortes de gastos públicos
De acordo com nota publicada nesta sexta-feira (31) na coluna Panorama Político do jornal O Globo, o governo federal deve também cortar previsões de gastos no projeto de lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2015. A decisão foi tomada, segundo a nota, na última terça-feira (28) no Planalto, em reunião da presidente, Dilma Roussef, com ministros da área econômica, e deve redimensionar os gastos públicos para 2015.
A LDO tramita no Congresso desde o primeiro semestre. Com deputados e senadores entretidos com Copa e Eleições, a matéria ainda não foi votada.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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