Eduardo Cunha e Temer prometem guerra por presidência da Câmara; PMDB mais rebelde?

29/10/2014 13h03m. Atualizado em 29/10/2014 23h04m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

A oposição na Câmara dos Deputados promete não dar trégua ao governo Dilma Rousseff. Nesta terça-feira (28), os líderes oposicionistas, após calcularem que, mesmo com uma nova formação de blocos com a participação de PSDB, DEM, PPS, PSB, não conseguiriam alcançar votos suficiente para o comando da Casa, decidiram que a melhor estratégia seria apoiar Eduardo Cunha para a presidência.
O líder do PMDB, teoricamente o principal partido aliado do governo federal, promete, na verdade, ser o maior opositor ao PT.
Pela imprensa, Eduardo Cunha trocou farpas com o vice-presidente da República e presidente do partido, Michel Temer, durante toda a campanha eleitoral. Eduardo Cunha disse que Temer sairia do comando da sigla, em caso de vitória do Aécio.
Por sua vez, Michel Temer, respondeu que Eduardo Cunha não seria presidente da Câmara caso Dilma vencesse. Com a presidente Dilma Rousseff reeleita, Temer parece que vai cumprir a promessa da campanha e já se empenha nos bastidores para ajudar o PT a fazer o próximo presidente da Câmara.
Na saída de encontro com a presidente Dilma nesta terça (28), Temer usou o acordo de alternância entre PT e PMDB para excluir Eduardo Cunha da disputa. “Esse acordo deu certo para o Congresso, deu muita harmonia interna para o Congresso e deu muita harmonia na relação do Congresso com o Poder Executivo”, afirmou.
ANÁLISE:
O vice-presidente nunca teve o comando completo do PMDB. Nenhuma liderança conseguiu comandar o partido, após a morte de Ulysses Guimarães. Mas Temer, aliando-se ao PT e assumindo a vice-presidêndia da República, conseguiu formar a mais sólida maioria dentro do partido, desde os tempos da Constituinte.
O problema é que essa maioria foi se desgastando com as rivalidades estaduais entre PMDB e PT. Nestas últimas eleições, essa rivalidade se aprofundou e gerou muito descontentamento no PMDB.
Dificilmente, Michel Temer manterá controle tão efetivo, quanto logrou no primeiro mandato. O PMDB é um condomínio de chefes locais e políticos com prestígio estadual. O descontentamento em algumas de suas bases certamente se refletirá no comportamento do partido no Congresso. Ele sempre teve uma dissidência, que oscilava entre 20% e 30% da bancada.
Vai continuar assim e, desta vez, a dissidência pode aumentar. Para reassumir a hegemonia de que desfrutou no primeiro mandato, Michel Temer terá que obter da presidente Dilma Rousseff concessões muito mais generosas do que no passado e a ampliação da participação do partido no ministério, para acomodar parte das facções recalcitrantes.
O problema é que, pelo que tem vazado nos corredores do poder, a presidente tem a intenção de abrigar outros aliados e não tem dado sinais de que pretenda ampliar a participação do PMDB no ministério.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

    Comente

    O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.