Gritos nas janelas após debate mostram mais que “guerra” entre dois partidos. Assista ao vídeo

25/10/2014 02h49m. Atualizado em 27/10/2014 22h56m

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As cenas de gritos nas janelas protagonizados por eleitores de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) nas principais capitais do país após o debate da Rede Globo desta sexta-feira (25) revelam mais que o acirramento eleitoral entre dois partidos nas Eleições de 2014. Mostram um país dividido como nunca.

Independentemente de quem será o vitorioso no próximo domingo (27), seja Aécio ou Dilma, o vencedor encontrará o Brasil separado pelas trincheiras abertas na mais violenta “guerra eleitoral” desde a redemocratização. Da minha janela, pude ouvir, após o último debate, “Fora PT”, “Bandidos” e respostas como “Vai dormir coxinha. PT é maior do que você”.

A culpa não é dos eleitores, já que nem a queda do avião de Eduardo Campos há dois meses levou a classe política brasileira a aprender com o momento de dor, de separação, do luto. Deles, os líderes, espera-se o exemplo. Todavia, as imagens da família de Campos sobre o caixão foram logo esquecidas e sobrepostas pelos ataques mais que venais, muitos deles de robos virtuais, os drones cibernéticos modernos.

Marina Silva que assumiu a candidatura de Campos, e o seu legítimo e importante discurso de terceira via, foi a principal vítima das mentiras altamente contagiosas no processo. Os ataques não pararam no segundo turno. Seguiram nas redes sociais, mais de um lado do que de outro — sendo Aécio o mais prejudicado.

Nas mãos dos eleitores, o resultado trará ao país uma nova experiência. O vencedor deverá — e muito provavelmente repetirá — a frase de que, agora, ao fim das eleições, será o presidente de todos os brasileiros. A frase é boa e deve ser dita, mas tem que ser mais que um pronunciamento protocolar. Quem vencer terá muito trabalho, a começar pela busca da união.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.