Sinais do trabalho de Temer na articulação política

15/04/2015 10h51m. Atualizado em 16/04/2015 08h15m

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Já é possível dizer que o efeito Temer está dando maior governabilidade à Dilma, melhorando a articulação política e dando mais tranquilidade ao cenário nacional. Os sinais são evidentes. O maior deles é a indicação do jurista Luiz Fachin para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, oito meses e meio após a saída de Joaquim Barbosa. Depois de idas e vindas o nome de Sachin que sofre resistência por ser simpático à CUT, PT e MST, só deslanchou após a ida de Michel Temer para a articulação política. A decisão indica que Temer convenceu o presidente do Senado, Renan Calheiros. Pode ser sinal também que contornou as dificuldades para a indicação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, para o ministério do Turismo, lugar hoje ocupado por um aliado de Renan. Significa também que atendeu ao atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Michel Temer é do ramo e conhece os caminhos das negociações políticas. Está se cercando de políticos sem mandato, experientes, em sua equipe. Contará com a ajuda de Henrique Alves, tudo mostrando que o Governo Dilma tende a evoluir favoravelmente nesta área. De uma maneira estabanada, pressionado pelo ex-presidente Lula – após uma atrapalhada indicação do ministro Eliseu Padilha para o posto, que rejeitou o convite – a escolha de Michel Temer parece se consolidar como acertada, não importa a maneira como aconteceu.

O Governo tem conseguido importantes vitórias políticas nestes últimos dias. A indicação de Sachin com evidente sinais de concordância final de Renan, um passo importante para a aprovação de seu nome no Senado, estampada nas manchetes de todos os grandes jornais, mostra que o Governo começa a se mexer. Apesar de algumas críticas às suas posições políticas, Fachin recebeu elogios de alguns membros da oposição como o senador Álvaro Dias.

Na área econômica, a resposta do governo Dilma ainda está longe. A crise demorará bastante. Mas a situação melhora um pouco. É bom lembrar que o primeiro passo foi a indicação de Joaquim Levy, para o Ministério da Fazenda. Dilma deu uma guinada total no rumo de governo, abandonando suas teses heterodoxas, correndo atrás do prejuízo, numa tentativa de sinalizar com urgência que o país está sendo colocado no rumo certo, no rumo das nações civilizadas, embora no final da fila.

A retirada do Chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, dos holofotes e do centro de tomada de decisões, foi outra sinalização evidente de que algo de novo, embora surpreendente, estivesse acontecendo. Agora é preciso governar, administrar o dia a dia, a parte mais difícil. O Governo até se dá o luxo de tentar mudar o projeto de terceirização e pensa em ceder nas propostas de ajuste fiscal. Derrotar o projeto de terceirização ou promover mudanças significas nele pode criar problemas com Eduardo Cunha, o todo poderoso presidente da Câmara, mas esta já é outra história.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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