As preocupações do PMDB no governo Dilma

14/04/2015 10h06m. Atualizado em 15/04/2015 10h52m

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Na melhor das previsões de políticos experientes do Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff conseguirá terminar o seu segundo mandato com uma popularidade pior do que a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o que preocupa o PMDB, o principal partido da base do Governo.

Isto explica, em parte, o comportamento contraditório do partido, que ao mesmo tempo que disputa fatias do governo e uma espécie de “tutela” de Dilma, toma decisões que contrariam a política oficial. Uma parte grande e crescente do PMDB trabalha com a idéia de que a aliança com o PT não vai acontecer nas próximas eleições presidenciais. O PMDB quer lançar um candidato próprio, e hoje um dos destaques nesta disputa interna ainda incipiente é o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Na avaliação de uma considerável parcela do PMDB, neste cenário, o mais otimista, Dilma passará todos os quatro anos do atual governo correndo atrás do prejuízo. O ano de 2014 será de crescimento negativo por necessidade de fugir de um rebaixamento e perda do grau de investimento. Dilma só evitará a famosa tempestade perfeita (crise política, inflação alta e recessão econômica) se fizer um ajuste fiscal que dê credibilidade aos credores e agentes econômicos, investidores internos e externos. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está fazendo o que pode para consolidar um corte de gastos, mas já encontra resistências e hoje os jornais falam em algumas concessões do governo. Ou seja, o ajuste fiscal será menor do que o anunciado.

Já 2016 e 2017 serão anos de muita dificuldade ainda e de crescimento medíocre. As eleições de 2018 ocorrerão num cenário pior do que o do final do segundo governo Fernando Henrique, segundo estes políticos do PMDB. Neste cenário, onde a popularidade baixa de Dilma contamina o seu mentor, o ex-presidente Lula, que também cai nas pesquisas de opinião, o PMDB vai precisar se posicionar com uma certa antecedência se quiser ter candidato competitivo. Este é o risco atual do governo Dilma.

O crescimento econômico negativo deste ano de 2015 embute riscos adicionais à esta tese otimista: os protestos de ruas poderão crescer com os reflexos do ajuste fiscal – alta de inflação, desemprego, cortes de verbas de saúde, problemas inevitáveis neste primeiro momento. Fora isto, a cada dia novidades em torno da operação Lava Jato afetam ainda mais a credibilidade do governo e criam zonas de perigo para um eventual pedido de impeachment – a notícia nova de hoje nesta área mostra a CGU – Controladoria Geral da União – protelando a investigação de denúncia de corrupção entre a Petrobras e a SBM até a eleição de Dilma em novembro.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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