Lava-Jato prende petista e ex-aliados quando segundo mandato de Dilma completa 100 dias

10/04/2015 10h38m. Atualizado em 12/04/2015 11h54m

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Esta sexta-feira começou com a Polícia Federal nas ruas esquentando o noticiário político com novas prisões e mandados. Mais um nome criativo e irônico na nova fase da Lava-Jato, A Origem. A operação acontece numa data redonda do governo: 100 dias do segundo mandato da presidente Dilma. Esse novo torpedo do Juiz Sérgio Moro, do Paraná, atinge o governo exatamente quando ele tenta se organizar após um começo atabalhoado. Esta é mais uma ação policial que vai aumentar a tensão na base política e ainda nem se sabe exatamente a totalidade do teor da operação autorizada pela Justiça Federal. O ex-deputado do PT André Vargas, preso na nova fase, é o mesmo que da mesa da Câmara recebeu o então presidente do Supremo Joaquim Barbosa levantando o braço esquerdo em homenagem aos petistas trancafiados do mensalão.

Os 100 dias de Dilma se completam com uma presidente emparedada pelo PMDB, prisões ocorrendo em sua base política e nos arredores dela, tendo um chefe da Fazenda mandando na economia, coisa que não ocorreu em nenhum momento no governo anterior, e ministro pensando diferente dela e do ex-forte e poderoso chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que sumiu tamanha a fragilidade hoje do ex-núcleo central de poder.

A inflação estourou o teto da meta com folga, o desemprego aumenta e o crescimento da economia em todas as previsões será negativo. Dilma tinha conseguido respirar um pouco nesta quinta-feira (9) com a manobra de dar para o seu vice, Michel Temer, a coordenação política do PMDB. Alguns áulicos do Governo já davam como certa uma virada de Dilma com a decisão, como se o vice-presidente já não fosse do Governo e participasse, inclusive, da coordenação política. Uma coordenação política ampliada, como chamavam, que não se sabe se terá continuidade com a ida institucional do ministério para Temer.

A confusão está instalada com um quadro político instável sobre uma base econômica péssima. Até agora, na verdade, o governo não deu uma resposta à altura da crise que ele próprio criou ao colocar o Brasil na contra-mão de todas as práticas modernas e testadas de teoria econômica, apostando em outras teses que levaram países, inclusive vizinhos, ao sub-desenvolvimento. Dilma completa 100 dias pagando um preço caro por tentar inventar a roda em termos de política econômica… 100 dias com popularidade em baixa e prestes a enfrentar novos protestos de ruas.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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