Os movimentos de Lula em meio a crise

09/04/2015 10h35m. Atualizado em 11/04/2015 10h16m

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Uma das perguntas sem respostas hoje em Brasília é qual o sentido político dos recentes movimentos do ex-presidente Lula. Lula conseguiu de maneira confusa, como tudo que acontece no governo Dilma Rousseff, fazer com que o PMDB aumentasse a tutela sobre a presidente com a ida do Vice, Michel Temer, para chefia a coordenação política.

Havia conseguido antes colocar Joaquim Levy no ministério da Fazenda. É bem verdade que ainda não conseguiu tirar Aloízio Mercadante da chefia da Casa Civil, mas é evidente hoje o esvaziamento da importância desta pasta no comando das principais movimentações do núcleo do Poder.

Ou seja, aos trancos e barrancos e ajudado pelo agravamento da situação econômica, Lula conseguiu dar alguma direção ao governo. As dificuldades, porém, continuam enormes. O PMDB aumentou sua presença e força no Governo, mas não se sabe para quê ou para onde ir.

O ex-presidente também faz movimentos em outra direção. Tem procurado reforçar suas alianças com as bases tradicionais do partido, a CUT e os outros movimentos sociais. Com isto, dá sinais de que não pretende se afogar na baixa popularidade da presidente Dilma.

Lula mantém sua influência no Governo e abre uma porta para se descolar de Dilma se for o caso no futuro. É o que se perguntam alguns políticos da própria base aliada.

Estimulado pelo ex-presidente Lula, o movimento da CUT contra o projeto de lei de terceirização fracassou com baixíssima adesão. E o maior temor de Lula no momento parece ser não conseguir se desvincular da imagem da presidente Dilma.

Há rumores em Brasília de que pesquisas indicam que a popularidade do ex-presidente acompanha a mesma curva da popularidade de Dilma. Há comentários exagerados e especulativos de que a curva é ainda pior.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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