Lisboa, pelas ruas da Baixa; Por Clara Favilla

03/04/2015 09h31m. Atualizado em 07/04/2015 08h31m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

A Praça Dom Pedro IV, mais conhecida como Rossio, é uma das mais lindas de Lisboa, atrevo-me a dizer de Portugal e mesmo de toda a Europa. Estando lá, é difícil sair porque tudo nos encanta: o pavimento ondulado em pedras que aqui, no Brasil, chamamos de portuguesas; as belas fontes e o cenário acima de nossas cabeças. Do centro da praça, é possível se ver, à direita, as ruínas do Convento do Carmo. E, se caminharmos em direção às ruas da Baixa, fechadas ao trânsito, antes mesmo de chegar a mais linda delas, a Rua Augusta, já nos deparamos, à esquerda, com o Castelo de São Jorge, fortaleza herança moura, que desafia os séculos.

Na esquina das ruas Bestega e Augusta, em lilás e branco, está o Internacional Design, que faz parte da rede de hotéis de charme de Portugal. Fundado em 1923, foi completamente remodelado, mas a linda fachada romântica foi mantida. A decoração de cada piso apresenta uma temática diferente. A inspiração é a Pop Art, os grafites urbanos e os motivos tribais. No hotel, funciona o restaurante Naoki, que oferece pratos totalmente orgânicos, mas apenas sob reserva para grupos. De suas janelas aprecia-se, de um lado o Rossio e, do outro, o Castelo de São Jorge. O maravilhosos brunch, oferecidos aos sábados e domingos, das 11 às 13 horas, é aberto a hóspedes e não hóspedes.

A Rua Augusta começa no arco triunfal que homenageia Dom José I. Foi sob seu reinado que aconteceu o trágico terremoto de 1755 e também o soerguimento de Lisboa dos escombros, sob às ordens do Marquês de Pombal. O novo traçado sobrevive até hoje. A rua liga a Praça do Comércio a do Rossio e tem boas lojas, bares, confeitarias e restaurantes, além de floristas e apresentação quase ininterrupta de artistas mambembes. Paralelas à Augusta, estão as ruas do Ouro e a da Prata, mostrando que, um dia, fervilhou ali, o comércio desses metais preciosos.

Caminhando pela Augusta, encontra-se a Casa Brasileira, movimentada confeitaria. Além do nome, nada se encontra ali que possa remeter ao Brasil. As delícias disponíveis são totalmente portuguesas, com certeza. Alguns tipos de pães, na vitrine, lembram os italianos no formato. Tudo produção própria.
O Elevador de Santa Justa fica ao fundo da rua de mesmo nome, uma das vicinais da Augusta. Liga a Baixa ao Bairro Alto. Inaugurado em 1902, funcionou, no início, a vapor. Feito todo em ferro fundido, o estilo que pode ser chamado de neogótico romântico. Do Café, no topo, descortinam-se cenários imperdíveis do centro de Lisboa e do Rio Tejo.

Se a caminhada é da Praça do Rossio em direção ao Tejo, chega-se pela Augusta à Praça do Comércio, logo que se atravessa o Arco Triunfal. Aí, pode-se optar de tomar um café no Martinho da Arcada, um dos preferidos de Fernando Pessoa, ou dar uma espiada no que acontece em um de seus edifícios históricos, o Pátio da Galé, transformado em centro de convivência com espaço para eventos, cafés e restaurantes.

Mesa do João do Grão/ Arquivo Pessoal

Mesa do João do Grão/ Arquivo Pessoal

Ao retornar, pode-se marcar ponto no João do Grão, que fica na Rua dos Carreieros, uma das paralelas a Augusta. Restaurante pertence a mesma família galega há mais de um século e é um dos mais conhecidos dos turistas por estar em todos os guias de Lisboa. As críticas negativas que pululam na internet vem, na maioria, dos lisboetas e portugueses em visita à capital. Mas os turistas sempre entram e saem felizes de lá com o custo do benefício encontrado, além da gentileza no ponto certo, dos garçons, principalmente com mulheres desacompanhadas.

O João do Grão é um pouco mais caro que os restaurantes ainda mais simples da região. Mas como pertence a minha memória afetiva, sempre vou lá, pelo menos uma vez, quando estou na cidade. E nunca me arrependo, mesmo quando me servem frio o bolinho de bacalhau de entrada. Fazer o quê! Amor não se explica. Da última, vez era outono quase inverno. O ensopado de carne e frango com batatas e cogumelos, quente e bem temperadinho, caiu muito bem.

O espresso em Portugal sempre é muito bom e a mensagem do pacotinho de açúcar veio junto, pra finalizar esse meu jantar, me fez rir sozinha:

Uma noite, faço do teu roncar
A minha canção de embalar
Hoje é a noite

Melhor impossível! Depois foi só pegar um dos táxis sempre estacionados em uma das laterais da Praça do Rossio, pagar pela corrida menos de cinco euros e mergulhar na maravilhosa cama do meu quarto de hotel.

Clara Favilla

Clara Favilla é jornalista. "Mais do que conhecer novos lugares, amo retornar. Reportariar é meu ofício. Vivo viajando, até pela quadra onde moro, em Brasília. Escreverei sobre viagens aqui. Serão impressões pessoais,mais do que guias. Espero que gostem, deem retorno e sugestões."

1 Comentário para "Lisboa, pelas ruas da Baixa; Por Clara Favilla"

  • rosa 11-04-2015 (4:24 pm)

    Delicia Clarinha! Seu guia de viagem é o melhor de todos

Comente

O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.