Para a tristeza dos radicais do PT, Levy consolida-se ainda mais

01/04/2015 09h19m. Atualizado em 04/04/2015 11h15m

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Após o dia de ontem, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, consolidou-se ainda mais no governo Dilma Rousseff para a provável tristeza dos radicais do PT e do Chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante.

Hoje, além do “pau da Barraca”, como gosta de dizer a oposição, ou a âncora do Governo, como define o mercado financeiro, Joaquim Levy se firma também, e inesperadamente, como o mais forte coordenador político de fato no Governo.

Até aqui, no segundo mandato, Levy é o único com credibilidade e força para discutir e negociar com firmeza no parlamento brasileiro. É ouvido, respeitado pela oposição e (até) pela (despedaçada) base do governo. Há discordância em relação ao seu ponto de vista, mas o parlamento o ouve e pondera.

Para isso, o ministro da Fazenda tem mostrado algumas qualidades: sabe perder, não abandona o barco, persegue o seu foco fiscal e está segurando a governabilidade de Dilma.

Reserva do presidente do Bradesco, seu ex-chefe e patrão Luiz Carlos Trabuco, que o ex-presidente Lula indicou como ministro para Dilma, Levy está se saindo melhor ainda do que o esperado.

O Congresso Nacional adiou a votação da regulamentação do indexador da dívida dos Estados e Municípios – como adiantado pelo blog nesta terça-feira (31) de manhã. A crise continua, mas evitou-se que ela virasse aguda e levasse o Brasil para mais próximo da perda do grau de investimento.

Um parêntese importante: caciques do PMDB afirmam que não houve acordo no projeto do indexador, mas apenas o adiamento por falta de quórum na semana santa. A vitória de ontem, comemorada pelo governo, teria data e hora para acabar, a semana que vem, quando a derrota será inevitável. A ver.

Mesmo assim, com isto, se ganhou tempo para a busca de soluções que não levem à perda total da credibilidade fiscal do governo Dilma. Em política, tempo é tudo ou quase tudo.

Joaquim Levy praticamente sozinho – agora até sem assessor de imprensa, que se demitiu – leva o governo adiante exclusivamente porque é o único que parece saber o caminho a seguir.

Aparentemente, a presidente Dilma finalmente entendeu (apesar de nunca admitir erros) que descarrilou o país na gestão passada e só o Levy, no momento, tem condições de o colocar novamente nos trilhos.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

1 Comentário para "Para a tristeza dos radicais do PT, Levy consolida-se ainda mais"

  • Glória Anaruma (Jundiaí-SP) 01-04-2015 (10:22 am)

    Todos os brasileiros que leem, afinal a imprensa a todo minuto nos fornece informações, já entenderam o caminho que o ministro Levy tomou para “salvar” o governo Dilma. Mas na minha opinião ele é um incompetente e servil, pois permite um setor público inchado, podre e inútil, não cortou nada no setor público, em compensação está destruindo a cadeia produtiva, que é o setor privado. Incompetente e servil vai ajudar a enterrar mais ainda o PT, e por isto agradeço.

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