Provas da Lava-jato complicam situação de tesoureiro do PT

31/03/2015 23h06m. Atualizado em 03/04/2015 09h32m

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Mesmo contraditória, a informação de que o doleiro/delator da Lava-jato Alberto Yousseff mandou entregar propina de R$ 400 mil para João Vaccari Neto em frente ao diretório nacional do PT, em São Paulo, piora a situação do tesoureiro do partido que governa país.

A delação premiada permite correções de informações prestadas pelo delator durante o processo de investigação. Justamente o que fez Yousseff, aconselhado por seus advogados.

Na primeira vez que tratou do caso, ele afirmou que a entrega ocorreu em um restaurante, o que só agora foi corrigido para um novo local: o diretório nacional do partido. A ideia é a de que Yousseff não mentiu, o que é proibido, mas apenas lembrou-se de uma informação.

Quinze anos após a legislação brasileira prever a delação premiada, o instituto tem estimulado criminosos a colaborar com investigações criminais em troca de benefícios como redução da pena em dois terços e até o perdão judicial.

Antes da Lava-jato, o caso mais notório foi a delação de Durval Barbosa no escândalo que ficou conhecido como mensalão do DEM.

Investigadores ligados a Lava-jato afirmaram ao blog que a situação de Vaccari é bastante complicada não só pela delação de Yousseff, mas também por consequência das provas colhidas durante as buscas e apreensões. O detalhe do local da entrega é apenas simbólico, segundo eles.

A mudança de versão, no entanto, abriu uma brecha para o Vaccari tentar desacreditar as informações prestadas pelo doleiro. O tesoureiro do PT negou veementemente ter recebido o dinheiro de forma ilegal.

Segundo Yousseff, a propina foi entregue por ordem da multinacional Toshiba, que fechou contrato com a Petrobras em 2009 para executar obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. O valor do contrato é de R$ 117 milhões.

Leia abaixo a íntegra da nota do PT sobre as novas informações contidas na delação de Yousseff.

O secretário Nacional de Finanças do PT, João Vaccari Neto, nega veementemente que tenha recebido qualquer quantia em dinheiro por parte do senhor Alberto Youssef ou de seus representantes.

Chama a atenção o fato de que, na delação realizada em fevereiro, Youssef afirmou que uma suposta entrega do dinheiro teria sido feita em um restaurante em São Paulo. No depoimento de hoje, se contradiz e afirma que foi na frente da sede do PT.

Youssef também afirma que um funcionário dele teria entregue o dinheiro a um representante da empresa Toshiba, e não diretamente a Vaccari ou a outro representante do PT. A Toshiba nega veementemente que algum dos seus funcionários tenha repassado recursos para representantes do PT.

A afirmação de Youssef causa ainda mais estranheza porque sua contadora, Meire Bonfim Poza, declarou à CPI Mista da Petrobras, no último dia 8 de outubro, que não conhece e que nunca fez transações financeiras com Vaccari Neto.

Essa Secretaria de Finanças reitera que todas as doações que o Partido dos Trabalhadores recebe são feitas na forma da lei e declaradas à Justiça.

Secretaria de Finanças do PT

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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