Em entrevista, Cunha mostra que aliança entre PMDB e PT está esfarelando

29/03/2015 13h34m. Atualizado em 31/03/2015 11h49m

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Mais impactante do que as declarações de Joaquim Levy, com críticas ao jeito de ser da presidente Dilma Rousseff, é a entrevista dada ao O Globo pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Na mesma linha do Eduardo Paes, nas revistas deste fim de semana, Cunha mostra claramente que já deu para o PMDB a aliança com o PT.

Eduardo Cunha critica abertamente o jeito de governar da Presidente Dilma. Diz que ela está parada, que existe uma inércia de comunicação, mostra irritação com o impacto da crise no Rio de Janeiro, chama de operação tabajara a tentativa de Gilberto Kassab de criar o PL, afirma que ministros próximos não estão no tamanho da crise e acusa novamente o Governo de tentar colocá-lo no meio da Lava-Jato.

As críticas são muitas e até mais duras do que faria um líder da oposição. E o governo não reage mostrando que ele pode ter razão. Dilma está parada.

As declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em um encontro fechado, mas que foi gravado, é um pouco mais do mesmo do que ele pensa a respeito da heterodoxia do PT e da Dilma, que ele conheceu bem quando foi Secretário do Tesouro, no primeiro governo Lula.

Levy já teve vários atritos com a atual presidente, quando ela era ministra das Minas e Energia e Chefe da Casa Civil. Um ficou famoso e conhecido em Brasília, que quase o levou a demissão na época. Levy tem uma ironia fina, e em determinados momentos agressiva, no jeito de falar.

Conhecida pelas reuniões quilométricas e improdutivas, Dilma deu por encerrada uma delas na Casa Civil, deixando ministros e altos funcionários do Governo sem o que fazer a rodeando em seu gabinete. Ao se despedir de Levy, ouviu: “Então, ministra, até a próxima assembléia geral”. Dilma nunca o perdoou por isto até pouco tempo atrás.

A declaração que hoje é manchete da Folha – Dilma é genuína, mas nem sempre efetiva – vai na mesma linha da frase ao se despedir da Chefe da Casa Civil. O que mudou foram as circunstâncias de cada uma delas. Lá atrás, Levy não era a âncora do Governo como é agora. Por este motivo, não deve se repetir a crise de relacionamento daquela época.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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