Aumenta tensão entre PMDB e Dilma

26/03/2015 11h47m. Atualizado em 28/03/2015 13h32m

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A governabilidade de Dilma Rousseff depende de Joaquim Levy e as notícias do dia mostram que ela ficou um pouco mais frágil.

Decisão do Supremo Tribunal Federal, que manda municípios e Estados pagarem seus precatórios em 5 anos, deve piorar a crise provocada pela não regulamentação da troca do indexador de suas dívidas.

Os estados e municípios agora com mais dificuldade financeira, pressionados pela decisão do STF, tenderão endurecer a briga pela revisão dos juros das dívidas que têm com a União e adotarão posição mais rígida em suas demandas.

O fato é que a tensão em Brasília entre PMDB e Governo aumentou muito por causa desta regulamentação e também pela criação de um novo partido, o PL. O Chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, voltou a ser hostilizado e acusado de ser o idealizador da manobra que beneficia Gilberto Kassab e prejudica o PMDB. O processo de fritura do seu nome deve aumentar.

Diante de tanta crise, as ruas se aproximam, afirmam os organizadores de novos protestos, marcados para daqui a menos de 20 dias.

O risco político já esteve melhor no início da semana. Estudo do Datafolha com cruzamentos em sua nova pesquisa mostra que o impacto do ajuste econômico pode piorar ainda mais a popularidade da presidente Dilma. A pergunta que se faz é: Dilma vai bancar hoje o seu principal fiador – Joaquim Levy?

Outra dúvida que surge é se o ministro da Fazenda deve fazer o trabalho do articulador político. Ele nem foi preparado para isso. Não é o seu papel fazer articulação no Congresso e se os articuladores políticos e lideranças do governo nas duas Casas não defendem a política econômica, ela sempre será vista como um corpo estranho à política do governo.

 

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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