Ainda em processo de fritura, Mercadante perde poder

23/03/2015 09h54m. Atualizado em 25/03/2015 19h35m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, amanheceu nesta segunda-feira (23) perdendo poder e continuando a sofrer com o processo de fritura.

Tarefas que eram de sua alçada estão sendo distribuídas. Uma delas passou ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como a negociação do ajuste fiscal no Congresso Nacional.

Mercadante já havia ficado fora das reações aos protestos de 15 de março, se afastou de dialogar com o Congresso Nacional em outras pautas importantes e o núcleo da articulação política cresceu com novos integrantes como Aldo Rebelo, Eliseu Padilha, Gilberto Kassab.

O tamanho de Mercadante no governo encolheu por ação pessoal do ex-presidente Lula e de seus companheiros mais próximos, que acreditam que não há tempo a perder para tirar o poder do chefe da Casa Civil.

Ele não é mais voz ativa na coordenação política, não tem diálogo com o comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, não teve participação relevante nos últimos episódios e movimentos envolvendo as tentativas de reação do Governo.

Com isto, cresce a possibilidade do PMDB ter mais espaço no governo Dilma. Isto significa, na prática, uma garantia mínima de governabilidade, mas, ao mesmo tempo, uma tutela.

A fritura de Mercadante é vista com bons olhos pelo mercado e pelos formadores de opinião. Mercadante sempre colocou-se — ou ficou marcado por estar — do lado das ideias consideradas heterodoxas e ultrapassadas do governo Dilma.

O mesmo não aconteceria se Levy estivesse na berlinda ou caso o PMDB caminhe em direção ao afastamento do Governo Dilma – uma possibilidade concreta se Mercadante continuasse a ter o poder que tinha, e se Lula não se mexesse.

Hoje o mercado – leia-se investidores no mundo todo – olha o cenário brasileiro com lupa: por exemplo, o desempenho de Levy e o humor do PMDB. É o que chamam de “risco político”. Uma nova expressão que vai permear o noticiário nacional nos próximos meses.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

    Comente

    O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.