O simbolismo da crise em uma foto

18/03/2015 21h59m. Atualizado em 20/03/2015 09h49m

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No dia que a presidente Dilma Rousseff acordou com apenas 13% de aprovação a estratégia foi ir à TV e responder à população com um conjunto de projetos de leis contra a corrupção.

Sem nenhuma grande novidade no pacote anticorrupção que tem apenas uma medida de aplicação imediata, o evento chamou a atenção exclusivamente no visual. Durante o pronunciamento, o simbolismo da crise política deste governo pode ser vista ao vivo.

Ao lado de Dilma, estavam petistas históricos, como o ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mas os peemedebistas não compareceram.

O vice-presidente, Michel Temer, e os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, não compareceram, apesar de convidados.

O blog apurou que se comenta no PMDB que a presidente parece não ter sido informada que o tema das manifestações era, além do combate a corrupção, o “fora Dilma”.

Dilma parece não compreender que, para a aprovação do ajuste fiscal e das medidas anticorrupção anunciadas nesta quarta-feira (18), ela tem de voltar a abrir ao diálogo com seu principal aliado — fiador e com maioria no congresso — que é o PMDB.

Caso contrário, vai perder nas votações e a crise, que já é abissal, poderá se aprofundar. Dilma está cada vez mais fechado com Mercadante, Cardozo e Pepe Vargas, ministro da secretaria de Relações Institucionais, que não provou ter perfil de articulador. São seus únicos interlocutores.

Já escrevi aqui que caciques peemdebistas reclamam da falta de comunicação da presidente. Ou seja, o cenário continuará igual: crise econômica e política, falta de credibilidade da presidente, somado ao racha na coalizão com os partidos da base.

A única notícia boa para o governo veio, inesperadamente, após a crise do dia que culminou com a saída do ministro da Educação, Cid Gomes. A demissão aconteceu após o pronunciamento no Congresso Nacional no qual ele chamou parlamentares de oportunistas.

O que parecia mais um apuro abriu uma oportunidade política. Entre os partidos da base, um comentário ganhou força nesta tarde: o de que o Mercadante poderia voltar para a educação para aliviar a tensão com o PMDB, que o colocou como alvo preferencial para fritura.

Entre os cotados para assumir a vaga está Jaques Wagner, o ex-governador da Bahia que, ao contrario de Mercadante, tem mais amigos que inimigos no PMDB. A reforma ministerial parece ser a única saída para a presidente tentar ajustar o rumo do governo.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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