15 de março: Multidões tomam as ruas em todas as capitais e algumas cidades do interior. Manchete dos jornais de segunda (16)

16/03/2015 08h36m. Atualizado em 17/03/2015 08h12m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

O assunto que ocupou as manchetes dos jornais nesta segunda (16) foi o movimento “15 de março” contra a corrupção e contra o governo Dilma, que levou brasileiros às ruas em todos os Estados. “Protestos contra Dilma mobilizam multidões”, diz o Valor Econômico que usou os dados da Polícia Militar de que, ao todo, 1,7 milhão foram às ruas, sendo um milhão em São Paulo.

“Democracia tem novo 15 de março” diz o Globo, afirmando, no título menor abaixo da manchete, que “em todo o país, 2 milhões vão às ruas contra o governo”. Informa também que, “surpreendido, Planalto reage com promessas” e “Panelaço nas cidades vira resposta à fala de ministros”. A manchete da Folha traz o cálculo próprio para a multidão na paulista, que diverge muito do número da PM. A Polícia fez imagens de helicópteros usando ferramentas modernas, mapas e contando os que estavam nas ruas adjacentes da avenida Paulista. O jornal não levou em conta quem estava nas ruas laterais. “’Fora Dilma’ reúne 210 mil em São Paulo e multidões pelo país”.

Informa ainda em títulos menores que “ato político é o maior já registrado na capital paulista após Diretas Já”. O governo disse estar disposto a ouvir as ruas e a Folha traz uma entrevista com o ministro José Eduardo Cardozo, na qual ele afirma que o pacote anticorrupção vai agilizar punições de corruptos. A resposta do governo, disseram os jornais, é a mesma dada após as manifestações de junho de 2013: um pacote anticorrupção e a reforma política.

O Estado de S. Paulo traz na manchete: Manifestação contra Dilma é a maior desde as ‘Diretas Já’”. O jornal trouxe os dois dados, o 1 milhão da Polícia e o 210 mil do DataFolha, e conclui que, por qualquer critério, é a maior desde a campanha das Diretas. Os brasileiros que foram às ruas nas 26 capitais e no Distrito Federal, além devárias cidades do interior estavam de verde e amarelo, usavam a bandeira e cantaram o Hino Nacional. Não deixaram alguns políticos falarem, como Jair Bolsonaro que foi impedido e vaiado no Rio. Os partidos de oposição em geral tiveram participação discreta.

Os candidatos derrotados na campanha de 2014, Aécio Neves e Marina Silva, se pronunciaram por meio de redes sociais. A resposta do Planalto foi uma entrevista concedida no fim da tarde pelos ministros Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo. Rossetto disse que quem foi às ruas foram eleitores que não votaram na presidente. Cardozo disse que o governo vai anunciar pacote anticorrupção. Quando falava, um espontâneo panelaço aconteceu em várias capitais. Em todo o país, pedidos de impeachment ou renúncia da presidente Dilma foram ouvidos. Houve grupos minoritários pedindo intervenção militar. O governo se surpreendeu com a dimensão das manifestações.

Outros destaques das primeiras páginas: Tragédia com o ônibus em Santa Catarina, que caiu em uma ribanceira, matou 51 pessoas. Sete continuam internados, três em estado grave; O presidente da Venezuela Nicolás Maduro recebeu do Congresso superpoderes: poderá legislar por decreto até dezembro. O mesmo havia acontecido com o falecido presidente Hugo Chavez; O Valor informa que o “Dólar forte pressiona dívida das empresas”; Informa ainda que, pela WWF, o Brasil continua a vice-campeão de desmatamento, só atrás da Indonésia.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

    Comente

    O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.