O problema maior que a barreira psicológica dos R$ 3

05/03/2015 16h38m. Atualizado em 07/03/2015 10h31m

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A barreira psicológica dos R$ 3 reais, rompida pelo dólar nesta semana após dez anos, não é o fator mais importante na alta recente da moeda americana.
O dólar já vinha se valorizando no ano de 2014, especialmente nos meses das eleições, e a tendência é que permaneça em alta devido à crise econômica e política do governo Dilma Rousseff, além da dificuldade enfrentada para colocar em prática os necessários ajustes das contas públicas.
O mais grave é o que ocasionou a alta do dólar esta semana: o racha entre PT e PMDB por causa da falta de liderança da presidente Dilma Rousseff na sua base de governo.
Renan Calheiros não aceitou a Medida Provisória da desoneração e, ao devolve-la, obrigou o governo a reagir e enviar um projeto de lei com urgência constitucional. Isso é visto pelo mercado como um sinal de que outras medidas podem também ser rejeitadas.
O descontentamento do PMDB, que tem reclamado de “falta de comunicação” da presidente, além da inclusão de Renan na lista dos investigados na Lava Jato, foram as duas gotas d’águas que faltavam em um copo cheio, prestes a transbordar. É a política influenciando mal a economia.
Existe quem veja com bons olhos a alta do dólar. Todavia, há mais perdas do que ganhos. A melhora nas contas da exportação quando o dólar está em alta pode vir, mas não aconteceu até agora. Pelo contrário, o país teve um déficit de US$ 6 bilhões nos primeiros dois meses apesar de o câmbio já estar subindo.
Já o efeito ruim do dólar já está acontecendo: a inflação está muito alta e amanhã isso deve se confirmar quando sair o IPCA de fevereiro. Os juros subiram para conter a inflação, como se viu nesta quarta-feira (4). O Banco Central aumentou a taxa básica para 12,75% ao ano e o Brasil voltou a ser o país da mais alta taxa de juros do mundo. O dólar subindo eleva os preços dos insumos importados que vai de matérias primas para a indústria até o trigo do paozinho. E a energia não para de subir. Tudo isso mostra que o dólar a R$ 3 é o de menos. Parece mais sintoma do que a doença.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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