Crise fiscal corta investimentos do PAC; rebaixamento da Petrobras afeta empresas brasileiras. Nos jornais de quinta (26)

26/02/2015 07h01m. Atualizado em 27/02/2015 09h00m

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Governo corta investimentos e mesmo assim há dúvidas sobre o ajuste fiscal e o risco de o Brasil ser afetado pela nota da Petrobras são assuntos em destaque nos jornais desta quinta (26).

“Governo atrasa repasses e bloqueia R$ 32 bi do PAC” é a manchete do Globo. O dinheiro de obras já contratadas fica suspenso até junho.

As aulas na UFRJ foram adiadas porque a falta de pagamento suspendeu serviços de limpeza. Enquanto isso, diz o Globo, “maridos e mulheres de deputados terão passagens” pagas pelos cofres públicos.

“Dados negativos ampliam ceticismo sobre ajuste fiscal” é a manchete da Folha de S.Paulo. A dúvida é se as más notícias econômicas não tornarão impossível chegar ao superávit primário prometido pelo governo. A arrecadação caiu pelo quarto mês seguido e a confiança chegou ao pior nível.

O Estado de S.Paulo diz, na manchete, que “ação da Petrobras despenca e Dilma faz críticas a agência”. As ações caíram 5%, o dólar fechou em alta de 1,23%. A decisão da Moody’s de rebaixar a Petrobras custará pelo menos R$$ 1 bilhão a mais no custo do refinanciamento só da parcela de R$ 50 bilhões da divida da empresa que vence até 2016. Outras empresas podem perder grau de investimento.

Em destaque, O Globo diz que a nota do Brasil pode ser afetada também, após o rebaixamento da Petrobras, mas o Estadão registra na primeira página que o analista sênior da Moody’s, Mauro Leos, afirmou que a divida pública brasileira não deve superar 70% do PIB, o que permite manter o grau de investimento para o Brasil. O Valor Econômico traz o mesmo tema na manchete: “rebaixamento da Petrobras trava mercado para captação”. O jornal prevê que o mercado externo deve ficar fechado para as empresas brasileiras que quiserem pegar empréstimos ou lançar títulos. A Petrobras quer publicar o balanço até o fim de março.

Os jornais detalharam também a continuidade da greve dos caminhoneiros. O governo prometeu que não aumentará o diesel nos próximos seis meses, mas disse que não pode reduzir o combustível. O Globo informa que o governo aceitou negociar uma tabela para o preço do frete e vai sancionar a lei sobre a jornada dos caminhoneiros. O Estadão publica na primeira que o ex-presidente Lula disse aos senadores do PT, em jantar, que a presidente Dilma tem que dar uma “chacoalhada” no governo.

Outros destaques: temporal em São Paulo provoca morte e quebra-quebra; Ministério Público quer que a CGU não se envolva nos acordos de leniência com empresas envolvidas na Lava Jato; O Globo reproduz reportagem de Fernando Rodrigues, do Uol, sobre os 342 investigados pela Receita por contas no HSBC da Suíça. Nela, há 31 pessoas ligadas a empresas de ônibus, como Jacob Barata com US$ 17 milhões.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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