O criador da Nutella que se foi… Por Pierre Pichoff

24/02/2015 11h29m. Atualizado em 09/03/2015 10h37m

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Retraçar a vida de Michele Ferrero que faleceu neste mês de Fevereiro em Mônaco, aos 89 anos, é antes de tudo dizer que este homem era tão discreto quanto rico. Seguido a revista Forbes, ele possuía 20 bilhões de Euros.

Ele se tornou famoso após ter criado em 1964 a famosa Nutella, esse creme de avela com nozes, chocolate e outros ingredientes… “Ferrero ficou durante anos no primeiro plano da industria italiana, conseguindo sempre renovar seus produtos”, comentou o novo presidente da Itália, Sergio Mattarella.

Mas, antes de se tornar a primeira fortuna da Península e o símbolo do famoso “capitalismo italiano” feito de virtudes familiares, Michele Ferrero era um simples artesão. A morte do seu pai Pietro, em 1949, o deixou na liderança de uma doceria que já era bem sucedida.

O pai tinha criado um produto que se chamava a Supercrema, um derivado da Nutella com menos chocolate, mais nozes e muito mais difícil de espalhar no pão. Foi preciso de quinze anos de experiência para ele criar secretamente a receita da Nutella cujo os italianos fizeram o uso do melhor jeito possível a ponto de elevá-lo ao patrimônio cultural no mesmo nível que o Bel Canto e a pintura clássica.

Desde esta época, o nome do Michele Ferrero foi substituído pela sua criação. Hoje, 365 000 toneladas de Nutella são produzidos a cada ano por 30 000 funcionários em 14 fabricas no mundo… E consumido por alguns centenas de milhões de pessoas. A receita anual de Ferrero é de cerca de 8 bilhões de Euros.

Após o seu sucesso com a Nutella, Michel Ferrero desenvolveu outros produtos que também marcaram o gosto do público: Ferrero Roche, Tic Tac ou ainda Mon Chéri. Ele construiu um império, mas nunca apareceu na TV ou na imprensa. As fotos deles são muito raras e o “senhor Ferrero” logo ganhou o apelido de “Howard Hughes do chocolate”. “Temos que aparecer somente duas vezes na imprensa”, ele costumava dizer… “na nota de nascimento e de falecimento”.

Foi na cidade histórica de Ferrero, em Alba, que a marca do mestre do chocolate é a mais visível. Batizada “Nutellapoli”, a cidade ilustra a visão do capitalismo social do Ferrero. Os salários são mais altos que no resto da Itália: a sociedade toma conta das atividade esportivas, culturais, o plano de saúde e, também, das creches.

“Não é uma empresa mas é uma oásis de alegria”, disse — em 2014 — Francesco Paolo Fulci, presidente da Ferrero. “Em 70 anos, nunca teve um dia de greve”.

Mesmo afastado afastado dos negócios há algum tempo, Michele Ferrero sempre estava presente quando se tratava de escolha estratégica da empresa. Em 2009, ele se opôs aos seus filhos que queriam vender a empresa ao inglês Cadbury e entrar na bolsa de valores. “Se tivermos acionários, eles pedirão sempre para aumentar a receita anual. Você sabe: para fazer um bom produto, precisa de tempo”

Pierre Pichoff

Formado como piloto comercial de avião, Pierre Pichoff mora em Caen, na Normandia, França. Ele é o diretor de uma empresa de turismo, a "Descobrindo a Normandia", que oferece passeios personalizados sobre a história da Segunda Guerra Mundial na Normandia, além de Paris e outros roteiros na França.

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