Maravilhas de Brasília – A salada de tomates do Bar do Sílvio; Por Clara Favilla

10/02/2015 10h05m. Atualizado em 17/02/2015 08h27m

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Tem coisa mais trivial do que salada de tomates? Ela é o mais frequente acompanhamento do nosso arroz e feijão de todos os dias. Mas, lamento se você não tem aquela salada de tomates predileta, aquela inesquecível, onde o fruto (trata-se sim de um fruto), reine soberano, sem rival, entre os alimentos crus de nossa mesa.

Minha salada de tomates inesquecível é a da minha madrinha Nair, uma das irmãs mais velhas da minha mãe. Nascida e criada em Ouro Fino, sul de Minas, vive hoje rodeada por filhos, noras, um genro, netos e bisnetos, em Itaúna, bem pertinho de Belo Horizonte. Na salada da madrinha, os tomates estão mais para maduros do que para verdes e são enfeitados por algumas rodelas de cebolas. O tempero nem azeite leva, mas óleo mesmo desses de soja. Sei lá o que ela faz. Acho que ela tem um pozinho mágico que. misturado ao sal e à pimenta-do-reino, dá sabor especial à modesta salada que faz. Melhor ainda se servida com arroz acabado de sair da panela de pedra e um ovinho estrelado de gema molinha no centro e quase durinha nas beiras, a clara levemente Tostadinha por baixo.

Eu já dei muitas e muita voltas inteiras e meias pelo país dos pomodoros, a Itália. Mas nem na Toscana, nem na Sicília, Umbria ou Calábria encontrei salada de tomates como a da madrinha Nair. Na Grécia, as que comi quase chegaram lá. Mas não há reinado que sempre dure. Certo sábado, a convite da amiga jornalista Penha Saviatto, fui ao Bar do Silvio, boteco na 114 Norte que lhe foi apresentado por outro jornalista, amigo de meia Brasília, o Eduardo Badu. Nem é preciso dizer que o Bar do Sílvio é um dos queridinhos da categoria. Lá encontrei a salada de tomates que considerei ligeiramente superior a da minha madrinha. Badu diz que é a melhor de Brasília. Eu digo que tende a ser a melhor do mundo, pelo menos do meu mundo conhecido.

No almoço, dividi um bife de fígado com a amiga Penha, igualzinho aos da minha infância, saboreados na nobre cozinha de minha avó materna: selado na face e contra-face e tenro por dentro. Dizem que a rabada do bar do cearense Sílvio é de se comer rezando. Ainda não experimentei. Lá também é o reino do sarapatel, mungunzá salgado, dos torresmos, do maxixe com nata e da costela. Dizem que o lugar anda mudado. As mulheres invadiram esse paraíso que já foi quase um Clube de Bolinha. Pra se adaptar aos novos tempos, o bar já tem até banheiro feminino.

Clara Favilla

Clara Favilla é jornalista. "Mais do que conhecer novos lugares, amo retornar. Reportariar é meu ofício. Vivo viajando, até pela quadra onde moro, em Brasília. Escreverei sobre viagens aqui. Serão impressões pessoais,mais do que guias. Espero que gostem, deem retorno e sugestões."

1 Comentário para "Maravilhas de Brasília - A salada de tomates do Bar do Sílvio; Por Clara Favilla"

  • Maria Antonia 11-02-2015 (1:22 pm)

    A salada de tomates é mesmo especial… Mas arrisque-se a pedir que ele, o Silvio, tempere uma salada com folhas, pepino, beterraba…. Aí vcs vão conhecer o que é uma salada inesquecível!!! E pra não ficar muito “light”, peça a batata frita do Silvio.. Um capítulo à parte!

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