Bendine traz derrota para o governo antes de o jogo recomeçar

06/02/2015 15h36m. Atualizado em 08/02/2015 09h17m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

Aldemir Bendine na presidência da Petrobras representa a derrota do governo antes de o jogo recomeçar. Nome de confiança de Dilma Rousseff e extremamente ligado ao PT, Bendine não tem a credibilidade esperada para tirar a maior empresa do Brasil da severa crise que se encontra.
O novo presidente deveria ter um rosto de imparcialidade e transparência para investigar e punir quem quer que seja e não a suspeita de que irá proteger aliados do partido do governo sob os quais há a dúvida de envolvimento no atual escândalo de corrupção.
Não é a toa que as ações da empresa despencaram novamente nesta sexta-feira (6). Em meio a uma tempestade sem precedentes, a estatal precisa, mais do que tudo, resolver os seus problemas internos, para depois voltar a pensar nos dilemas externos no competitivo mundo do petróleo.
Mesmo presidente de uma instituição como o Banco do Brasil, Bendine comprou, por exemplo, um apartamento em São Paulo com dinheiro vivo que tinha guardado em casa. O presidente de um banco que tem cédulas debaixo do colchão não é exatamente um nome que gera confiança… E não só no mercado.
Outro fato inusitado foi que ele favoreceu uma conhecida socialite com um empréstimo em condições mais que amigáveis, sendo que ela era devedora do BB.
A indicação do nome de Bendine, todavia, dá outro sinal ainda mais grave: ou a presidente não quer colocar alguém independente por preocupação de perder as rédeas da Petrobras ou ela tem sido incapaz de atrair os melhores nomes para compor o seu segundo mandato.
De um jeito ou de outro, a imagem da presidente fica desgastada. Trata-se de um sinal que Brasília não costuma perdoar: a perda da força política. E ela não poderia vir em pior hora, em meio a um contexto econômico ruim, com inflação alta, aumento das contas de gasolinas e luz e o risco de racionamento — medidas extremamente impopulares. Apertem os cintos.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

    Comente

    O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.