A saída de Graça era inevitável mas foi feita de forma amadora

04/02/2015 21h09m. Atualizado em 05/02/2015 20h07m

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A atabalhoada decisão do Palácio do Planalto de tirar Graça Foster do comando da Petrobras — deixando-a como uma estátua de sal até março no posto mostrou mais uma vez como o governo Dilma Rousseff está perdido. Não é a reação que se espera diante às graves crises que enfrenta.
A saída de Graça da Petrobras era inevitável. Enfrentando o maior escândalo de corrupção da história do país, a estatal sangra há dez meses diante dos brasileiros. Não havia mais confiança na atual diretoria e a busca por um substituto, ou substitutos, era algo que deveria ter sido planejado.
Assim como no caso do ex-ministro Guido Mantega, demitido no primeiro turno das eleições, mas que permaneceu no cargo até janeiro deste ano, o governo Dilma parece não saber como enfrentar os problemas e usar as substituições a seu favor.
No primeiro caso, no de Mantega, ele virou o ministro demitido no exercício temporário do cargo. Graça ia ser a presidente demitida no exercício da presidência, mas decidiu não aceitar o papel. Fez bem.
A alternativa só desgastaria ainda mais a sua imagem, após três anos à frente da estatal que tem perdido valor na casa dos bilhões e não consegue explicar os malfeitos dos últimos dez anos.
Ao tentar manter mais um demissionário em um cargo tão importante, como o de presidente da maior empresa do país assim como foi no caso do ministério da Fazenda, o governo Dilma não mostra apenas desorganização, mas amadorismo no trato da política em Brasília.
O Palácio procura agora um nome de mercado para a Petrobras, que traga credibilidade. É a melhor solução. Assim como era a saída de Graça. A ver, todavia, se encontrará um nome forte, independente, que aceitará assumir um transatlântico em meio a uma tempestade, além de entrar em um até aqui desastrado governo.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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