Mesa do Congresso demonstra triunfo do PMDB

03/02/2015 11h30m. Atualizado em 04/02/2015 21h11m

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Após conversa com o vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, assumiram a Mesa do Congresso representando visualmente o que o Brasil já sabe: o governo de Dilma Rousseff está nas mãos do PMDB. Na tarde desta segunda-feira (2), a dupla abriu os trabalhos do Legislativo.
Como se sabe, o PMDB é uma coalizão de chefes locais, personalidades e políticos clientelistas que se elegem em redutos eleitorais relativamente pequenos, representando interesses de suas clientelas.
Nesse contexto, o partido sempre fica do lado do governo, para se beneficiar do comando do Executivo sobre o orçamento e os cargos.
O PMDB entrega se receber o que pedir em troca. Se não, bloqueia. Tem um número grande de políticos com senioridade, experiência de negociação, articulação e conspiração política que dominam o regimento e exercem muita influência entre os parlamentares.
Usam a Câmara e o Senado para distribuir benefícios e favores, como melhores comissões, relatoria de projetos de interesse do parlamentar novato, escritórios melhores (que são símbolos status). As dezenas de benefícios que a Mesa pode distribuir a seus aliados são armas para obter a lealdade dos mesmos e forçar a mão com o governo.
A análise de políticos e especialistas é a de que Cunha e Renan não serão oposição o tempo todo, nem governo. Agirão por conveniência, de acordo com o que o governo lhes der em troca. E a conta esse ano vai ser muito alta com o ajuste fiscal, o escândalo de corrupção e a crise energética.
A presidente Dilma Rousseff vai precisar muito do Congresso e, ao que tudo indica, o parlamento vai apresentar uma conta que ela provavelmente não poderá pagar.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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