Com pior resultado nas contas públicas, Planalto continuará a usar imagem de “boa gestora” de Dilma

29/01/2015 13h23m. Atualizado em 30/01/2015 18h17m

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O governo Dilma Rousseff terminou o ano de 2014 com o pior resultado nas contas públicas da história. Com isso, as contas do governo registraram déficit primário (receitas, menos despesas) pela primeira vez nos últimos 18 anos.
O aumento dos gastos aconteceu no meio de um ano eleitoral marcado pela desonestidade factual em relação aos dados públicos.
Em uma analogia mal engendrada, é como se o governo brasileiro tivesse perdido de 7 x 1 no quesito administração do dinheiro público.
A má notícia foi divulgada nesta quinta-feira (29) e soma uma série histórica de notícia ruins deste governo, como o escândalo do petrolão e os prováveis racionamento de energia e água.
Em meio à maré ruim, uma notícia boa agradou assessores do Palácio do Planalto ouvidos pelo blog: a taxa de desemprego no ano passado teve média de 4,8%, a menor registrada desde 2002.
Os dados foram mostrados também nesta quinta pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Em 2014, a população sem emprego foi estimada em 1,17 milhão de pessoas, 10% menos que em 2013, quando foi de 1,31 milhão.
A PME é feita apenas em seis regiões metropolitanas: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre. É tão limitado que o próprio IBGE esta migrando para outro indicador, a Pnad Continua, mais amplo, que registra desemprego de 6,5% no país.
Mesmo assim, o Palácio do Planalto quer usar a notícia da queda do desemprego registrado no PME para tentar manter a imagem de boa gestora de Dilma — tese que já foi usada na eleição de 2014.
Aquela repetida nos debates e programas eleitorais de que a presidente conseguiu manter os empregos dos brasileiros mesmo em meio as crises.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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