Inovação nos estacionamentos dos Estados Unidos oferece sombra e gera energia solar ao mesmo tempo

28/01/2015 16h26m. Atualizado em 30/01/2015 23h13m

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Uma ideia criativa implantada em algumas cidades dos Estados Unidos pode resolver o problema de quem estaciona seu carro no sol e, ao mesmo tempo, gerar mais energia para o país. Grandes empresas estão cobrindo seus estacionamentos com painéis solares para oferecer sombra aos usuários e reter a energia solar que vem da cobertura. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Laboratório Nacional de Lawrence, em Berkeley, universidade que este blogueiro teve a honra de estudar, a maioria das cidades dos Estados Unidos possui de 35% a 50% de pavimento construído. Deste índice, cerca de 40% está em estacionamentos. A grande quantidade de asfalto e concreto absorve a energia do sol e gera o efeito “ilha de calor urbano”, em que o centro das cidades fica mais quente que as áreas ao redor.

Dependendo do tamanho da estrutura dos painéis solares, é possível gerar uma grande quantidade de energia. Num local que possui 28 hectares de extensão, por exemplo, o estacionamento solar pode produzir até 8 megawatts de energia, o suficiente para abastecer mil casas. Um benefícios em relação à energia é que os painéis também possuem uma estética diferente e moderna, além de evitar que os motoristas voltem aos seus carros quentes depois de passar horas num shopping ou em um evento no verão. A Agência de Proteção Ambiental e o Departamento de Energia dos Estados Unidos afirmam que estacionar na sombra contribui significativamente para a economia de combustível do veículo, já que, no calor, o sistema gasta mais para arrefecer o carro com o ar condicionado.

Apesar de todas as vantagens, os estacionamentos solares ainda não são muito comuns. O alto custo das instalações tem sido determinante para que muitos empresários deixem de lado a inovação. “Esse é o tipo mais caro de sistema para construir. Exige muito mais engenharia, mais aço, mais trabalho e gera uma porcentagem relativamente pequena de energia solar. Mas está crescendo, e o custo para instalar uma cobertura solar hoje é menor do que o custo para instalar um telhado alguns anos atrás”, afirmou Chaise Weir, da empresa TruSolar, em entrevista ao jornal The Washington Post.

Por enquanto, os estacionamentos solares são populares apenas entre as grandes empresas, que podem pagar os custos elevados de instalação e usam a novidade como um diferencial em seus ambientes corporativos. O hotel de luxo The Phoenician, localizado no Arizona, também adotou a ideia. O projeto foi lançado no dia 14 de janeiro e conta com 2 mil painéis solares que geram cerca de 600 kilowatts de energia.

O estádio FedEx Field, em Washington, abriga uma das coberturas solares mais famosas do país. Em apenas três meses, mais de 8 mil painéis foram construídos para cobrir 841 vagas de estacionamento. A estrutura é suficiente para suprir 20% da energia que o estádio precisa em dias de jogo e, quando não há eventos, o painel solar supre toda a energia necessária no local.

Para Laurence Mackler, fundador da empresa Solaire Generation, que constrói as garagens solares, muitos empresários ainda não instalaram os painéis em suas instituições por causa da falta de incentivos financeiros em alguns Estados no país.

A conclusão de Laurence foi reafirmada por um relatório de pesquisa de mercado divulgado em 2014 pela empresa GTM Research. De acordo com o documento, os estacionamentos solares estão surgindo principalmente no Arizona, Nova Jersey, Massachusetts, Nova York e Califórnia, Estados que oferecem um leque de incentivos financeiros do governo para apoiar o seu desenvolvimento. “Como os projetos de garagem são mais caros, eles têm uma dependência maior dos incentivos estaduais”, confirmou Scott Moskowitz, co-autor do relatório e analista de energia solar da GTM Research. A expectativa dos empresários é de que os custos de instalação comecem a cair e, em breve, o mercado de painéis solares deve se espalhar pelos Estados Unidos, diminuindo o calor dos motoristas e gerando mais energia nas cidades.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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