Organismo tóxico transforma o mar de Hong Kong em um fenômeno de luzes azuis

26/01/2015 14h32m. Atualizado em 26/01/2015 17h02m

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Um fenômeno da natureza transformou o mar de Hong Kong em uma bela paisagem com manchas azuis fosforescentes. As imagens fascinantes, no entanto, são sinal de uma ameaça ao meio ambiente. O “mar brilhante”, como é chamado o fenômeno, é resultado da proliferação da flor Noctiluca scintillans, organismo unicelular que aparece com a poluição agrícola. Quando perturbada por correntes ou ondas, a planta, que se parece com uma alga, brilha e solta manchas azuis pelo mar.

De acordo com Samantha Joye, oceanógrafa da Universidade da Georgia, a proliferação da Noctiluca scintillans pode ser fatal para a vida marinha e para a pesca local. “Essas fotos são magníficas. É apenas extremamente lamentável que a misteriosa e majestosa tonalidade azul seja criada pela Noctiluca”, disse Samantha, se referindo às imagens registradas pelo fotógrafo Kin Cheung e divulgadas pela agência Associated Press.

A Noctiluca se alimenta de plâncton e é comida por outras espécies. Por causa da poluição agrícola, o nitrogênio e o fósforo presentes no mar aumentam e criam o ambiente ideal para a proliferação desses organismos. Apesar de não ser prejudicial para os seres humanos, a planta é letal para a cadeia alimentar, pois libera toxinas que matam a vida marinha ao seu redor. A planta tem crescido rapidamente na costa leste e oeste da Índia e já causou a redução da atividade de pesca.

No mar da Arábia, a Noctiluca já gerou um grande prejuízo à natureza e à população. Cerca de 120 milhões de pessoas que vivem na beira do mar estão vivendo uma crise pela proliferação da planta, que mata diariamente milhares de peixes predadores que servem de alimento para a população. Ao diminuir o oxigênio da água, a Noctiluca cria uma “zona morta” ao seu redor e se espalha rapidamente pelo oceano.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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