Sonda espacial Rosetta faz grandes descobertas sobre os cometas e a origem do nosso sistema solar

23/01/2015 17h49m. Atualizado em 25/01/2015 09h32m

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O sonho dos cientistas de entender a estrutura dos cometas e a formação planetária do nosso sistema solar está cada vez mais próximo e pode trazer à tona conclusões surpreendentes. Em 12 de novembro de 2014, a Agência Espacial Europeia entrou para a história quando a sonda espacial Rosetta aterrissou na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Desde então, pesquisadores do mundo todo recebem e analisam dados inéditos que ajudam a compreender o início dos planetas e do nosso sistema solar. As maiores descobertas feitas pela missão Rosetta foram resumidas em quatro artigos escritos por cientistas da Universidade de Maryland, Estados Unidos, e publicados pela revista Science nesta sexta-feira (23).

Um dos grandes sucessos da missão Rosetta é a utilização do gerador de imagens Osiris, composto por duas câmeras, cada uma com seu próprio conjunto de filtros especiais. Uma das câmeras projeta imagens da superfície do núcleo do cometa, enquanto a segunda câmera se concentra na nuvem de gás e poeira que há em torno dele. Por meio do Osiris é possível analisar em detalhes a estrutura do 67P/Churyumov-Gerasimenko, conhecido pela equipe simplesmente como CG. “Cada pixel tem cerca de 30 centímetros. Você não pode ver uma xícara de café, mas também uma grande lancheira. A resolução é cerca de 10 vezes maior do que o Google Earth”, comentou o astrônomo Dennis Bodewits, co-autor de três dos quatro artigos publicados.

Pelas imagens capturadas no Osiris, foi possível definir que o cometa CG tem a forma parecida com um pato de borracha, que consiste em dois lóbulos ligados por um fino “pescoço”. A estrutura complexa do cometa, inclusive, pode ser responsável por variações significativas que acontecem em sua composição de tempos em tempos. O ciclo de rotação diurna do cometa 67P dura aproximadamente 12 horas e a estrutura do núcleo sugere que ele foi formado pela colisão de corpos menores que se originaram de diferentes regiões do sistema solar. “Vimos picos de leituras de água e algumas horas mais tarde um pico de leituras de dióxido de carbono. Essa variação pode ser um efeito da temperatura ou um efeito sazonal, ou poderia apontar para a possibilidade de migrações de cometas no sistema solar”, analisou o Dr. Myrtha Hässig, pesquisador do Southwest Research Institute localizado em San Antonio, Estados Unidos.

Outro estudo da missão mostra que apenas uma parte do cometa está visível para a sonda. O lado sul do CG ainda não pode ser visto, já que ele está de costas para o sol. O lado “norte” em análise é dividido em 19 regiões distintas, todas nomeadas pela equipe que coordena a missão. Detalhes sobre a textura e a geomorfologia do núcleo do cometa vão ajudar os pesquisadores a determinar como sua forma tem evoluído ao longo do tempo e onde ele pode conter maiores depósitos de água e gelo.

Os cometas têm sido estudados durante anos por cientistas do mundo inteiro. Seu núcleo é composto de gelo, poeira e partículas de pequenas pedras. Por se aproximarem muito do sol, os cometas se aquecem e liberam gases, exibindo suas atmosferas e, muitas vezes, formando caudas. Essa exposição ajuda nas análises realizadas pelas sondas espaciais, já que os cometas possuem, em sua estrutura, materiais da formação do nosso sistema planetário. Por causa dessa composição, eles oferecem boas pistas sobre as condições físicas e químicas em que os planetas começaram a existir.

Neste momento, a sonda Rosetta está em hibernação, mas 11 experimentos estão em andamento, com o objetivo de aprofundar o conhecimento dos cometas em geral e, especificamente, do 67P/Churyumov-Gerasimenko. Os pesquisadores estão animados com o que as análises podem trazer no futuro, já que o CG está próximo de atingir o único ponto em que sua órbita estará intensamente afetada pela radiação solar, resultando em novas descobertas. Ele provavelmente vai chegar a este ponto em 13 de agosto de 2015 e, depois disso, deve ir para longe do sol mais uma vez. A expectativa dos cientistas é chegar a conclusões que nunca foram possíveis em outras missões e adicionar novos dados sobre o incrível sistema que nos cerca.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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