Universidade faz novas descobertas sobre a formação dos planetas

16/01/2015 19h21m. Atualizado em 18/01/2015 09h38m

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Um artigo publicado pela revista norte-americana Nature traz uma importante notícia sobre a formação do nosso sistema solar. Segundo o artigo, os asteroides podem ser apenas um subproduto da formação dos planetas e não blocos de construção planetários. Pesquisa realizada pela Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, sugere que o material que formou os asteroides vem da colisão de embriões planetários, responsáveis pelo início dos planetas no nosso sistema solar, há mais de 4 bilhões de anos.

Por mais de um século, os cientistas estudam os minúsculos grãos de rocha derretida existentes no espaço. Chamados de côndrulos, os grãos são encontrados nos meteoritos, nome dado aos asteroides que caem sobre a Terra. A origem dos côndrulos sempre foi um mistério. Agora, a ciência chega perto de descobrir como se formam essas pequenas esferas compostas de minerais e ferro-níquel. “Entender a origem dos côndrulos é como olhar pelo buraco da fechadura de uma porta, que não nos dá uma visão clara e um vislumbre dos primórdios da nosso sistema solar”, disse Jay Melosh, professor da Universidade de Purdue.

Segundo ele, a nova descoberta mostra que a opinião de grande parte dos especialistas pode estar errada. A pesquisa sobre asteroides põe em dúvida o consenso científico sobre a teoria da formação dos planetas. “Asteroides não são sobras de material da construção dos planetas e os aglomerados de côndrulos não são pré-requisito para que um planeta exista”, finalizou.

De acordo com David Minton, outro professor da Universidade de Purdue envolvido nos estudos, a pesquisa contraria o que ciência acreditava ser a verdade. “Esse estudo sugere que os meteoritos podem não ser representativos do material que formou os planetas”. Se comprovada por outros pesquisadores, pode mudar também as hipótese sobre as condições necessárias para que haja vida em um planeta.

Com a nova descoberta, a Universidade também conseguiu decifrar o motivo da semelhança observada entre os côndrulos e as esferas formadas pelo impacto sobre a Terra e a Lua. Essas esferas de impacto são pequenas gotas de rocha solidificada que, ao se derreter, ficam encaixadas na Terra, por exemplo.

O método de criação do côndrulo proposto pela equipe de Purdue se concentra em uma pequena porção de restos ejetados no primeiros momentos do impacto do meteorito com a Terra, chamado de “jetting”. O processo ocorre no início do impacto, quando as superfícies dos dois objetos se encontram. A rocha criada pelo aperto da colisão é comprimida em alta pressão e intensamente aquecida. O calor criado pelo é suficiente para derreter rochas e criar gotículas nos restos ejetados, permitindo a formação dos côndrulos. As teorias do passado não conseguiram explicar a composição desse material derretido que, agora, é mostrada pela Universidade de Purdue.

No início do sistema solar, a colisão formadora dos planetas aconteceu em uma velocidade muito menor do que acontece agora. Os embriões planetários colidiam de forma relativamente suave, numa velocidade de alguns quilômetros por segundo. “O jetting permite um impacto de baixa velocidade para derreter uma pequena quantidade de rocha. O material derretido, mas não a rocha quebrada, é então ejetado em alta velocidade, de tal forma que as gotículas de fundição podem escapar de seus corpos originais e partem para o espaço. Milhões de anos de impactos e outros mecanismos de compressão criaram os asteroides e os meteoritos que conhecemos hoje em dia”, explicou Jay Melosh.

A pesquisa da Universidade de Purdue foi financiada pela NASA, Agência Espacial dos EUA, e tem como foco os côndrulos encontrados na maioria dos meteoritos rochosos. Cerca de 92% dos meteoritos possuem esse material em sua composição, de acordo com dados produzidos pelo Instituto Meteoritical Bulletin.

Os côndrulos são analisados desde 1975 por cientistas do mundo todo. “Eles são alguns dos primeiros sólidos do sistema solar e claramente contêm informações importantes”, disse Brandon Johnson, que liderou as pesquisas em Purdue.

O próximo passo dos estudos é explorar como o mecanismo de formação do côndrulo se encaixa em um novo modelo dentro das fases iniciais de formação dos planetas.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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