Projeto de lei da Califórnia tenta acabar com o mercado ilegal do marfim

11/01/2015 08h48m. Atualizado em 11/01/2015 15h20m

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O comércio ilegal de marfim movimenta milhões de dólares a cada ano e um dos responsáveis por incentivar a atividade é os Estados Unidos, segundo maior mercado do produto no mundo, perdendo apenas para a China. Na última quarta-feira (7), a deputada da Califórnia Toni G. Arkins apresentou o projeto de lei AB 96 para tentar fechar as lacunas que permitem a venda do marfim em todo o Estado. “A Califórnia reconheceu que promulgou uma lei há quase 40 anos para acabar com o comércio de marfim. Mas a lei deve ser reforçada, a fim de ser eficaz. O projeto AB 96 fecha a brecha que permite que o comércio ilegal de marfim continue a crescer e faz esforços reais para pôr fim ao massacre”, disse a deputada.

Proibida na Califórnia, a lei permite, no entanto, que peças feitas de marfim retirado até 1977 sejam vendidas como antiguidade. A brecha estimula a impunidade dos comerciantes, que vendem peças recentes como se fossem antigas. Em relatório divulgado recentemente, o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais do Estado estimou que 90% do marfim vendido em Los Angeles é ilegal e, em São Francisco, esse número é de 80%. “Eu acho que se as pessoas percebessem que as peças que estão sendo exibidas agora em prateleiras de lojas locais na maioria das vezes vêm de elefantes que foram mortos nos últimos anos elas ficariam chocadas e indignadas”, afirmou Elly Pepper, integrante do Conselho.

Se for aprovado, o projeto de lei AB 96 proibirá qualquer pessoa de comprar, vender ou importar marfim. A penalidade para os comerciantes e compradores será uma multa que pode chegar ao valor de 10 mil dólares. A nova lei não se aplicaria apenas ao marfim, mas também ao chifre de rinoceronte, outra atividade que mata milhares de animais todos os anos.

De acordo com estudos recentes, um quinto dos elefantes da África foi abatido em apenas três anos. Para os especialistas, os números são ainda mais assustadores. Cerca de 65% dos elefantes que vivem nas florestas foram mortos desde 2002. “Nós estamos conduzindo esses magníficos animais para a extinção em toda a África, a menos que pare a matança de 96 elefantes a cada dia, termine o tráfico e a procura por marfim”, disse John Calvelli, Vice-Presidente Executivo da Wildlife Conservation Society, organização mundial que busca a preservação da natureza e da vida selvagem.

Assim como John, os demais defensores dos animais torcem para que o projeto de lei seja aprovado na Califórnia, na esperança de que os demais Estados adotem a postura de acabar, de uma vez por todas, com a morte de milhares de elefantes pela busca do marfim.

Matheus Leitão

Matheus Leitão é jornalista há 15 anos. Em sua carreira, passou pelas redações do Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar.

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