Emoção rara e única une franceses; Por Pierre Pichoff

09/01/2015 09h31m. Atualizado em 10/01/2015 10h59m

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Unidos no silêncio, paralisados pela dor e de pé pela liberdade. Nesta quinta-feira (8), os franceses, em ato raro, se uniram em luto nacional. Ao meio dia em ponto, os relógios franceses pararam e o tempo cronológico deixou de existir, e a nação se uniu em comoção, indignação e compaixão pelas doze vitimas do atentado da revista Charlie Hebdo.
Anônimos, políticos, celebridades tornaram-se uma só alma numa grande comunhão republicana. Empresas públicas e privadas, transportes coletivos e escolas pararam. Até a economia do país parou, provando que o dinheiro vale menos que as vidas perdidas e que um país clamando por paz.
Na sede da Polícia de Paris, o presidente da França, Francois Hollande, deixou transparecer um rosto triste, fechado, quase incrédulo. Ao som do sino da catedral de Notre Dame de Paris, centenas de pessoas demonstravam emoção sem censura. Franceses e turistas juntaram suas lágrimas nas ruas em todas as cidades do país. Em Marselha, Lião ou em qualquer lugar do país de Voltaire, milhões de canetas apontaram na direção do céu. A torre Eiffel, símbolo francês para o mundo, parou de iluminar a capital às 20 horas, demostrando tristeza à sua maneira.
No meio desta dor nacional, três palavras serviram como catarse para gritar a emoção sem nome, a solidariedade, a compaixão e a indignação sem precedentes pelo ato terrorista, abominável e inexplicável, “Je suis Charlie”, que viralizou pelas redes sociais e se tornou um clamor mundial pela liberdade da expressão e contra a intolerância religiosa e o preconceito.

Jean-Baptiste Gurliat/ Mairie de Paris

Jean-Baptiste Gurliat/ Mairie de Paris

Uma frase do cartunista Charb também foi usada para homenageá-lo: “eles queriam pôr a França de joelho, mas conseguiram colocá-la de pé”; ou ainda: “eles tinham como objetivo de matar Charlie Hebdo, acabaram de fazer dela um imortal”, em referência aos grupos islamicos radicais.
O atentado a Charlie Hebdo uniu a França na luta pelos valores revolucionários da liberdade, da igualdade e da fraternidade que o mundo todo parece seguir.

Pierre Pichoff

Formado como piloto comercial de avião, Pierre Pichoff mora em Caen, na Normandia, França. Ele é o diretor de uma empresa de turismo, a "Descobrindo a Normandia", que oferece passeios personalizados sobre a história da Segunda Guerra Mundial na Normandia, além de Paris e outros roteiros na França.