Enfim o salário mínimo chegou na Alemanha; Por Pierre Pichoff

04/01/2015 09h12m. Atualizado em 05/01/2015 10h40m

CompartilheShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookShare on RedditShare on VK

A Alemanha foi um dos sete últimos países da Europa a adotar uma política de salário mínimo. Foram dez anos de debate para, enfim, o país aprovar a reforma que passou a vigorar a partir de 1.o de janeiro de 2015. A Alemanha fixou em 8,50 euros por hora o menor valor a recebido por um trabalhador no país.
A medida teve o apoio de 90% dos parlamentares e de quase 95 % da população, segundo sondagens alemãs.
A regulação foi a solução encontrada para colocar um fim no “dumping salarial”, herança da divisão da Alemanha durante a guerra fria. Trabalhadores das antigas Alemanhas Oriental e Ocidental ainda sentiam a disparidade em seus salários.
Líderes sindicalistas acreditam que a lei vai valorizar os 1,4 milhão de trabalhadores considerados “pobres” por receber menos de 5 euros por hora. Somados aos trabalhadores de baixa renda, que ganhavam entre 5 e 8,50 euros, a estimativa é de que 4 milhões de cidadãos serão beneficiados com as novas regras, o que corresponde a quase 10 % da população ativa.
Mas a lei ainda é controversa para os trabalhadores. Cabelereiros, taxistas e agricultores, acostumados a cobrar valores inferiores a 5 euros por hora de seu serviços, temem que o novo mínimo traga consequências negativas para a competitividade e o lucro.
O presidente do Banco Central Alemão, Jens Weidmann (foto), teme uma onda de desemprego após o aumento dos salários. A Alemanha tem atualmente uma das menores taxas de desemprego na Europa, com índice de 4,9 % da população ativa.
A verdade é o que real impacto da nova política de salário mínimo só poderá ser avaliado daqui a alguns anos.
Se o custo de muitos produtos e serviços vai aumentar, pode ser esse o preço a pagar para mitigar as desigualdades inadmissíveis para um país como a Alemanha, que mantém um dos mais baixos salários da Europa.

Pierre Pichoff

Formado como piloto comercial de avião, Pierre Pichoff mora em Caen, na Normandia, França. Ele é o diretor de uma empresa de turismo, a "Descobrindo a Normandia", que oferece passeios personalizados sobre a história da Segunda Guerra Mundial na Normandia, além de Paris e outros roteiros na França.

2 Comentários para "Enfim o salário mínimo chegou na Alemanha; Por Pierre Pichoff"

  • Samuel 04-01-2015 (11:34 pm)

    Só observo agora os liberais que se dizem a favor o Estado Mínimo mas não tem coragem de negociar o salário com o patrão!

  • jonas antônio de freitas 05-01-2015 (7:38 am)

    Nos Estados Unidos das Américas , funciona, porque não em outros países ?????

Comente

O autor do blog não se responsabiliza pelo comentário.